Curitiba - Pela primeira vez depois do pleito de 29 de outubro, as lideranças paranaenses do PT se reuniram, anteontem, para conversar sobre a atuação da legenda a partir de agora. O tom do encontro foi informal, mas, conforme explicou o deputado estadual Ângelo Vanhoni (PT), alguns pontos já foram discutidos de maneira concreta. Ele se refere à indicação do petista Jorge Samek (atualmente à frente da Itaipu Binacional) e da ex-candidata Gleisi Hoffmann (PT) ao primeiro escalão do próximo mandato do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
''Samek ocupa um cargo administrativo. Um ministério mantém uma relação mais próxima com os assuntos do Estado'', afirmou Vanhoni, acrescentando que o atual ministro Paulo Bernardo (PT), que também é do Paraná, deve permanecer no posto. Samek foi o coordenador da campanha eleitoral do presidente no Paraná. Já a ex-candidata Gleisi perdeu para o adversário tucano Álvaro Dias (reeleito senador) nas eleições de outubro, mas obteve 45,14% dos votos válidos na disputa. ''É uma maneira de reivindicar mais força para o Paraná. Entre os estados do Sul, foi no Paraná que Lula obteve a maior votação'', justificou Vanhoni, sem adiantar, porém, os nomes dos ministérios cotados pelos petistas.
Outro ponto discutido na reunião foi o relacionamento do PT com o PMDB do governador reeleito no Estado, Roberto Requião. Para Vanhoni ''há um consenso'' dentro do partido sobre a relação entre a bancada do PT na Assembléia Legislativa e o Executivo. ''O PT deve apoiar o governo'', indicou ele. A informação, porém, já não foi bem vista pelo presidente do PT no Paraná, deputado estadual André Vargas, que fez questão de reforçar que ''nada foi decidido''. ''A primeira questão é saber como articular melhor a questão nacional (Lula) aqui no Paraná. Requião precisa estar alinhado com o presidente'', desconversou Vargas.
O PT apoiou Requião no segundo turno da eleição e deve compor alguns postos na gestão do Executivo, conforme adiantou o próprio governador durante entrevista coletiva na semana passada. ''Não há problemas na participação do PT na gestão. Mas todas as indicações do partido serão discutidas pelo próprio partido, para preservar a autonomia das nossas instâncias'', explicou Vanhoni, acrescentando que, em 2002, quando o PT também apoiou Requião no segundo turno, seu partido foi ''atropelado''. ''Aquele tipo de indicação de 2002, 'individualizada', não vai se repetir. Foi desastrosa para todo mundo. Tem que ser uma união 'institucional' entre os partidos'', reforçou, também, André Vargas.
Sobre as próximas escolhas do governador para o seu secretariado, o deputado estadual Caíto Quintana (PMDB), ex-chefe da Casa Civil, avisou ontem: ''é muito temerário indicar ou vetar qualquer nome''. O deputado estadual Nereu Moura (PMDB) também não quis falar em nomes, mas garantiu que haverá mudança. ''Vai ser natural. E o Requião já disse que contará com o PT e com uma parte do PSDB'', disse. O presidente do PMDB no Paraná, deputado estadual Dobrandino da Silva, também falou em mudanças. ''Uma mudança agora, antes do fim do mandato, seria importante. O governo precisa renovar e eu espero participar do processo de escolha (dos novos nomes)'', comentou.

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