Brasília - A coalizão desejada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os partidos aliados tem hoje como principal entrave sua própria legenda, o PT. Os movimentos deflagrados pelos petistas para eleger o deputado Arlindo Chinaglia (SP) como próximo presidente da Câmara dos Deputados já provocam desconforto até entre fiéis companheiros de Lula, como PC do B e PSB. Colocam também setores importantes do PMDB em estado de alerta e não entusiasmam integrantes de PP, PTB, PR (antigo PL) e PRB, alvos preferenciais da coalizão planejada pelo governo para 2007.
O lançamento da candidatura de Chinaglia contra a reeleição de Aldo Rebelo (PC do B-SP) para o comando da Câmara atrapalhou tanto o projeto de coalizão que hoje o presidente da Câmara vive uma situação inusitada. Embora Lula torça por sua recondução ao cargo, os principais fiadores de sua candidatura passaram a ser PSDB e PFL, os dois maiores partidos de oposição. ''Só esse governo consegue a façanha de apoiar um candidato que precisa dos votos da oposição para se eleger porque não recebe apoio do partido do presidente'', ironiza o líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ).
O sinal mais evidente de que a coalizão começou a naufragar foi exibido na votação da última de quarta-feira que indicou o novo representante da Câmara no Tribunal de Contas da União (TCU). O PT trabalhou para eleger o deputado Paulo Delgado (MG). Seus líderes mais influentes negociaram acordo com os partidos aliados e acabaram sendo surpreendidos pela vitória do pefelista Aroldo Cedraz (BA).

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