Curitiba - Depois de discursos inflamados contra a possibilidade do PT se coligar na disputa proporcional com o PMDB e o PDT, o encontro estadual do partido terminou na tarde de ontem sem nenhuma decisão concreta. Os cerca de 500 delegados do Estado inteiro votaram pela transferência da decisão final para a Executiva Estadual. Também foi determinado que o partido não irá integrar o ''chapão'' na disputa para a Assembleia e Câmara Federal. Os petistas devem sentar novamente para debater a posição do partido na disputa deste ano amanhã. Mesmo assim é possível que a postura decisiva do PT só seja concretizada na quarta-feira, prazo final para a definição de candidaturas.
O encontro de ontem começou com mais de duas horas de atraso porque o presidente do partido, Ênio Verri; a pré-candidata ao Senado, Gleisi Hoffmann; e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo foram convocados a participar de mais uma reunião com o senador Osmar Dias (PDT) e o governador Orlando Pessuti (PMDB). O grupo voltou para União Cultural Recreativa Ahú, local do encontro, só para anunciar que nada foi decidido.
O ministro Paulo Bernardo declarou que ''o que está certo é que os partidos estão todos juntos''. ''O Osmar disse que está conosco mesmo que não seja candidato ao governo'', afirmou. Mas isso, no entanto, não significa que os três partidos irão se coligar para a disputa. Por enquanto, avisou o ministro, o PT trabalha com três cenários. No primeiro Osmar Dias decide concorrer ao governo coligado com PT e PMDB, concretizando a aliança que vinha sendo negociada nos últimos dias.
Mas há a possibilidade também do senador desistir da disputa para não criar uma situação complicada com seu irmão, o senador Alvaro Dias (PSDB) - que foi indicado para ser vice na chapa do presidenciável José Serra (PSDB). Se isso acontecer o PT pode lançar candidato próprio - possivelmente o ex-prefeito de Londrina, Nedson Micheletti - e Osmar sairia candidato ao Senado em coligação com o PMDB, numa chapa composta por Pessuti candidato a reeleição e Roberto Requião como candidato ao Senado. Por fim, o PT também estuda a possibilidade de aderir a uma eventual candidatura de Pessuti a reeleição. Neste cenário Osmar sairia candidato independente ao Senado.
Apesar do impacto negativo da indicação de Alvaro para a vice de Serra na negociação entre PT, PDT e PMDB, o ministro Paulo Bernardo minimizou a importância do tucano. ''A indicação dele é um sinal de que o Serra desistiu da disputa. Alvaro é um ótimo candidato a vice para nós'', ironizou. Mas confirmou que Osmar teria informado ao PT e ao PMDB que se a indicação for confirmada ele não irá participar da disputa ao governo. ''Ele alegou que ficaria numa situação constrangedora'', relatou.

mockup