Brasília- Sem maioria na Câmara e no Senado, o PT começou ontem a montar sua tropa de choque para enfrentar a oposição do PFL e do PSDB, que ameaçam formar um bloco no Congresso, o que poderia dificultar ainda mais a ação do governo petista. Os líderes do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva querem garantir os principais postos e presidências de comissões do Congresso e, ao mesmo tempo, abrir negociações com os partidos de oposição para aprovar propostas de interesse do Palácio do Planalto, como as reformas da Previdência e da legislação trabalhista.
Mas a liderança do governo na Câmara não ficará com o PT. O escolhido, dentro do acordo político pós-eleição, é o deputado Aldo Rebelo, do PC do B de São Paulo, que chegou a ser cotado para ministro. O cargo foi dado aos comunistas como compensação pelo partido ter ficado apenas com o Ministério dos Esportes, agora sob o comando do deputado Agnelo Queiróz (PC do B -DF). A liderança do governo no Senado será ocupada pelo senador eleito Aloísio Mercadante (PT-SP), que deverá acumular a função com a liderança do governo no Congresso. Ontem a bancada do PT no Senado escolheu o senador Tião Vianna (AC) para ser o líder do partido a partir de 1º de fevereiro.
Para a função de líder do PT na Câmara deverá ser indicado Nelson Pellegrino (BA), que representa uma das alas radicais do PT, mas tem discurso moderado. A idéia é proporcionar um equilíbrio de forças no partido, uma vez que o atual líder, João Paulo Cunha, que é candidato a presidente da Casa, é de uma tendência moderada e majoritária dentro do PT.
João Paulo não teme que um bloco PSDB/PFL, com 155 deputados, lance um candidato à presidência da Câmara. ''Se eles fizerem isso, nós fazemos um bloco com o PMDB e teremos maioria'', ameaçou. PT e PMDB juntos têm 165 deputados. ''O acordo com o PMDB está mantido'', garantiu ontem o líder do PT na Câmara, João Paulo Cunha (SP), que é o candidato do partido à presidência da Câmara.
Os senadores petistas também estão pleiteando a presidência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), considerada uma das comissões mais importantes do Congresso. Para o cargo, indicaram o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). ''É justo, além de sustentável, que nós indiquemos a presidência da CAE'', disse a senadora Heloísa Helena (PT-AL). Na reunião da bancada, que contou com a presença de 12 do total de 14 senadores petistas, também foi indicado o senador eleito Paulo Paim para a primeira secretaria do Senado.
''Temos maioria para aprovar as reformas. O PMDB deu a certeza de que vota a favor das reformas e o PFL e o PSDB também estão dispostos'', afirmou ontem o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, confiante num resultado positivo das negociações políticas. Mas o presidente do PT, deputado José Genoíno (SP), apressou-se em dizer que as relações entre o novo governo e o Congresso não vão se transformar em um ''balcão de negócios''.

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