O delegado regional do Sindicombustíveis, Sérgio Sant'Ana, prestou depoimento ontem ao delegado da Polícia Federal (PF) Kandy Takahashi, no inquérito que apura o suposto caixa 2 na campanha de reeleição do prefeito Nedson Micheleti (PT).
De acordo com Sant'Ana, um levantamento aponta que oito postos teriam fornecido álcool, gasolina e diesel para a campanha petista de 2004, a um custo de cerca de R$ 46 mil. No entanto, a prestação de contas da campanha de Nedson declara apenas despesas com combustíveis de R$ 29 mil durante a campanha e em apenas um posto.
''Na quarta-feira (dia 3), quando houve as buscas e apreensões (de documentos) nos postos, os donos de postos ficaram preocupados e nos ligaram. Eu disse: juntem todas as informações, sejam transparentes, passem todas as informações para a Polícia Federal e depois a gente vai dar uma olhada para ver se houve diferenças de valores ou alguma coisa assim'', relatou. Ao todo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em onze postos. ''Hoje, o valor que a gente tem (de fornecimento de combustível durante a campanha petista) em oito postos é o de R$ 46 mil. Tem posto que abasteceu R$ 4 mil, outros R$ 8 mil, teve uma divisão entre esses postos'', afirmou.
Segundo Sant'Ana, antes das eleições, teriam ocorrido duas reuniões entre coordenadores da campanha e os proprietários dos postos. ''Teve uma reunião no Hotel Crystal, da qual não participei, e outra no Sindicombustíveis. Na reunião no Crystal eles falaram como seria feito o abastecimento. Na outra reunião, solicitada pelo Gerson (da Silva, coordenador do Procon), no segundo turno, eles conversaram com o pessoal da revenda. Sempre fornecendo notas, cupons em nome das pessoas da campanha'', disse. Conforme ele, teriam participado das reuniões, o presidente do diretório municipal do PT, Jacks Dias; um dos coordenadores da campanha, Augusto Ermétio Dias Júnior, e Gerson da Silva. ''Eles queriam que fosse fornecido combustível através de requisições. Não foi falado em cotas mínimas.''
De acordo com Sant'Ana, a venda de combustível mediante requisições é de praxe em campanhas políticas e foi feita também com outras coligações. Ele não verificou quantos estabelecimentos teriam fornecido combustível para outras campanhas. ''Isso a gente não fez'', disse.
Além de Sant'Ana, outros quatro donos de postos foram ouvidos ontem na PF. Notas fiscais de um mercado de Londrina foram anexadas ontem ao inquérito. Takashashi não quis se manifestar sobre as investigações.
Jacks Dias disse não se recordar dessas reuniões relatadas por Sant'Ana. ''Não me lembro. Quem fazia os orçamentos e tentava articular era o Augusto, mas eu também articulava. O Gerson trabalhou em um monte de coisa mas não sei se nessa questão'', disse. Augusto também disse não se lembrar. Gerson somente irá se manifestar após ter conhecimento do depoimento de Sant'Ana.

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