PT oficializa candidatura sem Nedson
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sexta-feira, 12 de março de 2004
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
A pequena sala do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores, no centro de Londrina, ficou lotada, na manhã de ontem, durante a inscrição oficial do prefeito Nedson Micheleti (PT) como pré-candidato à reeleição. Em meio a militantes, secretários, deputados estaduais e federais, uma ausência foi, no mínimo, curiosa: a do próprio prefeito. A secretária nacional de Assistência Social, Márcia Lopes, também não compareceu, alegando atraso nos vôos.
A solenidade confirmou Micheleti como único pré-candidato do PT à prefeitura, com 100% de apoio dos membros do diretório, como frisou o deputado federal Paulo Bernardo. O partido busca agora o apoio de outras siglas, se possível fazendo alianças já no primeiro turno. ''Já se deliberou um arco de alianças, que é a base de apoio do (presidente) Lula, mas claro que cada município tem suas particularidades. Em Londrina, temos boas relações com partidos de oposição no âmbito federal, como PSDB, PFL e PDT'', assinalou o presidente do PT paranaense, deputado estadual André Vargas.
Um acordo com o PMDB também não está descartado, ressaltou Vargas, apesar da firme pretensão do partido em lançar candidato próprio em Londrina. ''O governador Roberto Requião (PMDB) continua dizendo que quer a aliança'', reforçou. Outras duas siglas estão na mira do PT, segundo Vargas: o PL e o PP. O deputado comentou que a postura de oposição adotada pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Orlando Bonilha (PL), não compromete as relações entre o Partido Liberal e o PT, já que este último deu apoio ''fundamental'' para levar Bonilha à presidência do Legislativo. Pelo menos uma trinca de alianças já está garantida, de acordo com Vargas, formada por PC do B, PHS e PCB.
Direta ou indiretamente, todos os discursos proferidos ontem desembocavam num mesmo ponto: a oposição ao ex-prefeito Antônio Belinati (PSL), primeiro lugar em todas as pesquisas extra-oficiais, inclusive nas encomendadas pelo PT. ''Temos que lembrar de como estava a situação da prefeitura antes do Nedson assumir, com R$ 530 milhões em dívidas. O prefeito poderia ter feito muito mais se tivesse recebido a casa em ordem, e fará a partir de 2005, se reeleito'', observou Paulo Bernardo. ''Precisamos atrair outras forças comprometidas com a moralidade para impedir que corramos o risco de tornar àquele período tenebroso que passamos'', vociferou.
Uma hora depois da solenidade, os dois adversários Micheleti e Belinati foram vistos sob o mesmo teto, participando da inauguração do novo prédio da Pontíficia Universidade Católica (PUC). Lá, o prefeito declarou à Folha que não compareceu ao diretório do PT porque estava em entrevista ao vivo em uma rádio da cidade. ''De qualquer forma, minha presença nem era necessária, foi apenas um registro de pré-candidatura'', justificou. Ele afirmou que só irá se portar como candidato após as convenções partidárias, em junho.


