PT obedece a Lula e enterra os processos contra Sarney
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quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Valdo Cruz eAndreza Matais<br>Folhapress 
Brasília - Após intervenção direta do Palácio do Planalto na bancada do PT, os senadores petistas deram ontem os votos necessários para arquivar todos os processos contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), no Conselho de Ética. Com apoio dos três petistas - Ideli Salvatti (SC), Delcídio Amaral (MS) e João Pedro (AM) -, os 11 processos contra Sarney foram mantidos arquivados pelo placar de 9 a 6 em duas votações. Ele era acusado de usar o cargo para cometer irregularidades como a nomeação e exoneração de parentes por atos secretos.
Muitos senadores votaram fora do microfone, visivelmente constrangidos. ''Por todos os acontecimentos, isso foi desconfortável'', admitiu o senador Delcídio Amaral (PT-MS). Em seguida, não só com o apoio do PT mas também do PMDB, foi arquivado, em definitivo e por unanimidade, o processo contra o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).
O PMDB foi o autor da representação contra o tucano e, mesmo assim, deu seus três votos para arquivá-la. Eram oito denúncias, entre elas, a de que ele manteve funcionário fantasma no seu gabinete. O enquadramento petista foi decidido na manhã de ontem, antes da sessão do conselho, durante reunião na sede provisória do governo Lula com o chefe de gabinete do presidente, Gilberto Carvalho.
A posição dos petistas no Conselho de Ética transformou o PT em alvo das críticas e expôs publicamente o racha do partido no Senado por conta da interferência presidencial. ''Hoje é o dia em que o PT abraçou Sarney e Collor, e a Marina (Silva, militante história do partido) saiu'', resumiu o Pedro Simon (PMDB-RS). ''O PT arrebentou hoje sua história'', disse o Demóstenes Torres (DEM-GO). ''A bancada petista sofreu uma intervenção branca do Planalto'', acrescentou o líder do DEM, Agripino Maia (RN).
Líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti ouviu a tudo calada diante da determinação do presidente Lula de salvar Sarney, transmitida mais cedo por Gilberto Carvalho. Estavam presentes na reunião o presidente do PT, Ricardo Berzoini, Aloisio Mercadante e os três representantes do partido no conselho. Ao final da reunião, ficou combinado que a senha para o voto dos petistas seria uma nota de Berzoini dizendo que o Conselho de Ética não tinha isenção para julgar Sarney e Virgílio.
Inicialmente, o documento seria lido por Mercadante. Só que ele desistiu na última hora, transferindo a missão para o senador suplente João Pedro. A decisão do líder provocou críticas dos petistas no Conselho de Ética. ''Ficamos totalmente desamparados pelo nosso líder. Nada do que foi combinado foi cumprido. Fomos para o sacrifício'', disse Delcídio Amaral.


