Brasília - O presidente do PT, Rui Falcão, disse ontem que o partido não vai proibir alianças com o PMDB, do presidente interino Michel Temer, mas vai "priorizar o diálogo" com siglas que se posicionaram contra o impeachment de Dilma Rousseff e vetar apoio a candidatos que foram publicamente favoráveis ao impedimento. "Vamos priorizar o PCdoB e o PDT e outras [legendas] vamos discutir caso a caso", disse Falcão após reunião do diretório nacional do PT em Brasília. "Se alguém do PMDB quiser participar conosco, que não tenha apoiado o impeachment publicamente, desde que adote programas do PT, não há nenhuma objeção", concluiu.

Segundo o presidente petista, o PMDB é "um partido enorme" e, por isso, "certamente, país afora, deve haver militantes confiáveis". O ataque, Falcão pondera, tem que ser sobre "a cúpula que ocupou o poder". Para ele, Temer e seus aliados têm "um plano antidemocrático e regressivo".

A decisão sobre a política de alianças para as eleições deste ano foi tomada após uma longa discussão entre os dirigentes da cúpula petista durante o encontro a portas fechadas em um hotel na capital.

Alas mais à esquerda do partido reivindicam que o PT não só "priorize" quem apoiou Dilma, mas "se negue" a fazer acordo com legendas que encaminharam voto a favor do impeachment.

Dirigentes do campo majoritário da sigla, por sua vez, diziam que isso "inviabilizaria" a projeção do PT nas eleições, que deve priorizar a cidade de São Paulo, do prefeito Fernando Haddad. O meio termo foi então proibir apoio a candidatos que votaram ou apoiaram publicamente o impeachment de Dilma.


Além da resolução sobre eleições, o PT divulgaria um documento em que faz uma rara autocrítica e aponta para "equívocos" do governo Dilma Rousseff e "erros", especialmente em relação à condução econômica e à política de alianças como as razões para o impeachment.

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