Agência Estado
De São Paulo
O deputado federal José Genoino (PT-SP) disse ontem, em entrevista à Rádio Eldorado de São Paulo, que os deputados de oposição fizeram um acordo público para votar o salário mínimo no dia 26. ‘‘Nós não podemos aceitar que a maioria do governo transforme o Congresso neste vexame nacional, pois desde 96 o salário mínimo é regulamentado por medida provisória e a base do governo não vota’’, comentou.
O deputado considera inaceitável o rompimento do acordo, pelos líderes do PMDB e do PSDB. ‘‘Se os líderes do governo não têm palavra o que é que sobra daquela Casa, o que se salva daquele Congresso? Para nós um rompimento é inaceitável e desrespeitaria o próprio líder do governo, Arthur Virgílio (PSDB/AM), que fez o acordo conosco’’, destacou.
Segundo José Genoino, o País suportaria um salário mínimo de R$ 177,00, viabilizado por financiamentos e administração da taxa de juros. Para ele, o salário de R$ 151 é uma vergonha. ‘‘A não ser na boca do ministro Pedro Malan, que ainda disse que sobra R$ 20,00.’’ ‘‘Um país não pode trabalhar com a lógica de que os ‘debaixo’ devem arcar com o ônus do ajuste. Quem tem que arcar com os ônus do ajuste são os de ‘cima’. E esta é uma tese que nós vamos defender’’, declarou.
Genoino não acredita na viabilidade do piso regional no País, já conturbado pela guerra fiscal. ‘‘Não podemos aceitar que o governo transforme o piso regional em uma grande vitória para os trabalhadores. Isso não vai acontecer, não é viável e provocará protestos claros’’, afirmou. Para o deputado, o governo estaria com receio de colocar a questão do salário em votação porque tem medo de perder num ano eleitoral. ‘‘Os deputados vão ter medo de apertar os botões de seus códigos, de seu nome, para votar o salário mínimo de R$ 151 porque é uma vergonha nacional. Por outro lado, os trabalhadores vão divulgar o cara que fugiu, porque a pior coisa é o deputado que foge’’, disse.

mockup