Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) apontou ontem a mudança nos rumos políticos do PT como a principal causa da derrota do partido no segundo turno das eleições no Brasil. Embora Requião não tenha citado especificamente o caso do Paraná, onde apoiou candidatos do PT que foram derrotados em três das quatro maiores cidades do Estado (Curitiba, Maringá e Ponta Grossa), o governador apontou a política neo-liberal do governo Lula como a causa das derrotas do PT no segundo turno.
Segundo Requião, o PT não aprendeu a lição das urnas em 2002, quando foram eleitos os governadores e o presidente Luís Inácio Lula da Silva. ''O Lula ganhou não só pelo seu carisma, mas porque a população rejeitou o modelo neoliberal. Parece que o PT não aprendeu essa lição das urnas, e decidiu seguir essa mesma cartilha neoliberal. O resultado é que ele foi derrotado justamente onde esse modelo está deixando a classe média depauperada, que é nas cidades grandes e médias'', disparou.
As declarações de Requião foram dadas em um seminário realizado pelo PPS com os 34 prefeitos eleitos do partido. O presidente nacional do PPS, Roberto Freire, e o presidente estadual da sigla, Rubens Bueno, também criticaram a postura do governo federal. ''O PT está efetivamente fazendo um terceiro mandato do (ex-presidente) Fernando Henrique Cardoso. A população mostrou que não quer isso nessas eleições. É só vermos o crescimento que o PPS teve a nível nacional, justamente por termos uma proposta diferente'', disse Freire.
Segundo Freire, o PPS estuda a nível nacional uma fusão com o PDT justamente para cobrir esse vácuo deixado pelo PT. ''A aliança com o PDT está firme, e a fusão ainda não está confirmada. Mas com certeza seria uma sigla importante, especialmente como alternativa ao modelo neoliberal'', disse Freire. A fusão, porém, vai depender de muitas conversas ainda envolvendo os interesses em cada Estado.

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