O PT deverá manter no segundo turno em Curitiba a bem-sucedida campanha de rádio e TV ‘‘light’’, sem ataques diretos ao grupo do governador Jaime Lerner (PFL), que deu ao partido a histórica porcentagem de 35% dos votos no último domingo. A tendência é de que ocorra uma suavização ainda mais acentuada do discurso.
Sinalização nesse sentido foi dada ontem pelo próprio candidato, o deputado estadual Angelo Vanhoni. ‘‘Faremos uma campanha com muita alegria e esperança. Chega de rancor. A alegria e a esperança estão nas ruas, contagiando a população’’, justificou o candidato à tarde, ao dar entrevista em sua primeira visita à Assembléia após o pleito de domingo.
Irritado, Vanhoni tentou dar uma importância secundária às possíveis divergências entre as estrelas da frente de partidos de oposição que se formou em torno de seu nome. ‘‘Temos semelhança nos programas, que conduzem à geração de empregos e a uma nova perspectiva de desenvolvimento, com investimentos no social’’, enfatizou. ‘‘As estrelas não interessam.’’
Anteontem, PSDB, PDT, PSTU e PRTB anunciaram apoio a Vanhoni. Ontem, foi a vez de Maurício Requião (PMDB) aderir ‘‘de forma incondicional’’ à campanha do petista. Ele admitiu que há divergências entre PT e PMDB, mas deixou claro que o objetivo maior é derrotar o grupo de Lerner, principalmente com vistas à sucessão estadual, em 2002.
O secretário da Fazenda Giovani Gionédis, disse ontem que, literalmente, ‘‘faltou o coração curitibano’’ na campanha pela reeleição de Cassio. ‘‘Precisava emoção. Não adianta fazer apenas uma campanha com profissionalismo se não colocar o coração’’, afirmou o secretário, que, além de ser filiado ao partido, integra o conselho político de Lerner.
Gionédis atuou nas campanhas para a eleição e reeleição de Lerner e também contribuiu na primeira eleição de Taniguchi. Mas desta vez ficou de fora. Na sua avaliação, o segundo turno foi fruto de um erro básico da equipe. ‘‘Houve má explicação de alguns pontos’’, afirmou, ao se referir às acusações de que o prefeito aumentaria o IPTU.
Gionédis negou a intenção de assumir o controle da campanha. Ele disse estar muito envolvido com a privatização do Banestado e o Programa de Recuperação Fiscal (Refis). Ontem surgiram boatos dando conta que Heinz Herwig, atual secretário dos Transportes e conselheiro eleito do Tribunal de Contas, poderia ser o novo coordenador da campanha. A entrada de um dos integrantes do conselho político de Lerner serviria para acomodar os descontentes com a atuação do deputado estadual Marcos Isfer (PFL).
A Folha conversou por telefone com Herwig, por volta das 12h30. Ele disse que estava cumprindo expediente na secretaria e que ‘‘até agora’’ não havia sido convidado para assumir qualquer função na campanha. A assessoria de imprensa do candidato também informou que não haveria nenhuma mudança. O deputado estadual Beto Richa (PTB), vice na chapa de Taniguchi, também. (Valmir Denardin, Carmem Murara e Rubens Burigo Neto)

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