PT ''light'' revê posições sobre FMI e MST
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sábado, 29 de setembro de 2001
Vera Rosa<br> Agência Estado<br> De Brasília 
O FMI não é bicho-papão e o MST nem sempre está certo. Ao contrário do que se possa imaginar, o raciocínio não é de nenhum neoliberal, muito menos de um ''sem neo'' do mesmo figurino. Neste cenário político de turbulências econômicas, quem está recusando verdades absolutas é o próprio PT. ''Se faltarem recursos, o governo que for eleito, seja ele qual for, terá de negociar com todas as instâncias e não vejo vantagem no rompimento com o FMI'', afirma o economista Guido Mantega, um dos principais assessores de Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato do PT à Presidência. Professor da Fundação Getúlio Vargas, Mantega admite que o PT terá de fazer ''adequações'' nos programas sociais em um quadro de desaceleração econômica.
O economista diz que as revisões ainda estão em estudo, mas dá uma pista. ''A questão da segurança tende a se tornar mais importante porque a população está amedrontada, e com razão'', nota. Os petistas querem aperfeiçoar o projeto de segurança em gestação no Instituto Cidadania, ONG comandada por Lula. Pretendem pedir até colaboração internacional para a proposta.
Os desdobramentos da crise mundial, o modelo de segurança e a aliança comercial entre a União Européia e o Mercosul serão temas das conversas que Lula terá, nesta semana, com ministros e chefes de Estado na França, na Itália e em Portugal. Na terça-feira, ele será recebido pelo primeiro-ministro francês, Lionel Jospin.
De olho na Presidência, o PT do século 21 tenta transmitir a imagem de que está preparado para governar o Brasil sem assombros. ''Não é questão de ser light. É que não vamos jogar gasolina na crise'', resume o deputado João Paulo Cunha (SP), que deve dirigir o grupo de trabalho eleitoral petista em 2002.


