BRASÍLIA - O presidente nacional do PT, José Dirceu, garantiu ontem que o partido terá candidato próprio à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso e lançou o nome de Luiz Inácio Lula da Silva para concorrer mais uma vez ao Palácio do Planalto em 1998. Segundo Dirceu, nenhum outro integrante do partido conta com o mesmo cacife eleitoral.
‘‘O Lula tem 20 milhões de votos e é o nome que vem à cabeça de qualquer petista quando se fala em eleições’’, afirmou no intervalo da reunião do diretório nacional realizada na Câmara. No encontro, discutiu-se o resultado do segundo turno das eleições e a crise do partido no Espírito Santo.
Durante depoimento prestado na quinta-feira à comissão especial da Câmara que analisa a proposta da reeleição, Lula foi reticente em relação à possibilidade de voltar a disputar a eleição para Presidente da República. ‘‘Não estou candidato’’, disse ele. O presidente do PT adiantou que Lula poderá mudar de idéia em breve. ‘‘O Lula pode mandar nele, mas na candidatura dele quem manda é o partido’’, garantiu.
Dirceu afastou a possibilidade de o PT vir a apoiar uma eventual candidatura do ex-presidente Itamar Franco à presidência da República dentro de dois anos. Ele admitiu apenas promover uma aproximação com Itamar no combate a propostas como a de reeleição e de privatização da Companhia Vale do Rio Doce.
As chances de aprovação no Congresso Nacional da emenda da reeleição, segundo os cálculos do presidente do PT, teriam ficado mais reduzidas com o lançamento da candidatura do prefeito Paulo Maluf ao Palácio do Planalto e as divisões internas da base governista. ‘‘Acredito que temos hoje chance de impedir a aprovação da reeleição’’, afirmou.
Dirceu disse identificar uma reação da sociedade à proposta mesmo após a divulgação de pesquisas que apontam o apoio de 55% da população à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Pela máquina de propaganda que se criou e pelo apoio da mídia à reeleição, fico satisfeito com o resultado’’, comentou.
Um integrante do diretório nacional do PT deverá ser enviado para Vitória, para acompanhar as delicadas negociações entre o governador Vitor Buaiz e a bancada estadual do partido. A decisão foi anunciada por José Dirceu e integra um conjunto de medidas a serem adotadas pelo diretório para tentar amenizar a crise experimentada por Buaiz no relacionamento com a bancada.
Segundo Dirceu, também se reunirá em Vitória, sempre que necessário, uma comissão formada pelos líderes do PT na Câmara e no Senado, pelo presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo próprio Dirceu. ‘‘Vai levar tempo, mas o PT vai superar o problema que atravessa no Espírito Santo’’, previu.

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