Brasília - O PT conseguiu ontem impedir a votação, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, de proposta de emenda à Constituição que acaba com a verticalização nas eleições - obrigatoriedade de as coligações partidárias regionais serem iguais às alianças nacionais. Contrários à proposta, os petistas discutiram com os deputados do PFL, que são favoráveis ao fim da verticalização.
  O PT também aproveitou a polêmica em torno do projeto de decreto legislativo que prevê a realização de referendo popular sobre a comercialização de armas de fogo para não deixar votar a emenda constitucional. ‘‘O PT só quer votar a verticalização dentro da reforma política e como o referendo é uma matéria que interessa a muita gente, ele está sendo utilizado para votar a verticalização’’, disse o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP), relator da proposta de referendo. ‘‘O que impediu a votação não foi o referendo e sim a verticalização’’, afirmou o presidente da CCJ, Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ).
  Apesar de nada ter sido votado, a sessão de ontem da CCJ foi tumultuada, com deputados fazendo algazarra no plenário da Comissão, aos gritos e reclamando a toda hora da atuação de Biscaia.
  Um dos mais irritados na sessão foi o ex-líder do governo na Câmara Professor Luizinho (PT-SP) que, por quase duas horas, protagonizou vários bate-bocas com o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA). Os petistas tentaram ganhar tempo e votar em primeiro lugar o referendo. Na votação da verticalização, o PT perde na CCJ porque a maioria dos integrantes da Comissão é favorável ao fim da obrigatoriedade de os partidos repetirem nos Estados as mesmas alianças feitas no âmbito nacional. Hoje, a Comissão reúne-se novamente para tentar votar o referendo e o fim da verticalização.
  Já a comissão especial da Câmara, que vai analisar a PEC (proposta de emenda constitucional) que proíbe a prática do nepotismo nos três Poderes da União, deverá ser instalada somente na próxima semana.

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