PT, Gleisi e advogados: prisão ilegal e midiática
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quinta-feira, 23 de junho de 2016
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba O diretório nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), os advogados de Paulo Bernardo e a esposa do ex-ministro do Planejamento e das Comunicações, Gleisi Hoffmann (PT-PR), além da bancada do PT no Senado, divulgaram notas ontem condenando a prisão do petista. Para a sigla, o cumprimento dos mandados de busca e apreensão na sede nacional de São Paulo foi "desnecessário e midiático". "Em meio à sucessão de fatos e denúncias envolvendo políticos e empresários acusados de corrupção, monta-se uma operação diversionista na tentativa renovada de criminalizar o PT", diz trecho do documento.
Para os advogados de Bernardo, Verônica Sterman e Rodrigo Mudrovitsch, o Ministério do Planejamento se limitou a fazer um acordo de cooperação técnica com associações de entidades bancárias não havendo qualquer tipo de contrato público, tampouco dispêndios por parte do órgão público federal. "Ainda assim, dentro do Ministério do Planejamento, a responsabilidade pelo acordo de cooperação técnica era da Secretaria de Recursos Humanos e, por não envolver gastos, a questão sequer passou pelo aval do ministro. Não bastasse isso, o inquérito instaurado para apurar a questão há quase um ano não contou com qualquer diligência, mesmo tendo o ministro se colocado à disposição." A defesa também contou que não teve acesso à decisão, mas adiantou que a prisão "é ilegal, pois não preenche os requisitos autorizadores". "Assim que conhecermos os fundamentos do decreto prisional tomaremos as medidas cabíveis."
DESVIO DE FOCO
A FOLHA entrou em contato com Gleisi, via assessoria de imprensa, mas ela não retornou à ligação até o fechamento da edição. Em sua conta no Facebook, a senadora disse que o dia foi triste. "Conheço o pai dos meus filhos. Sei das suas qualidades e do que não faria, por isso sei da injustiça que sofreu nesta manhã." De acordo com a parlamentar, o ex-ministro tem endereço conhecido e, desde que o processo começou, se colocou inúmeras vezes à disposição da Justiça. "Vieram coercitivamente buscá-lo em casa, na presença de nossos filhos menores. Um desrespeito humano sem tamanho, desnecessário. Não havia nada em nossa casa que podia ser levado. Mesmo assim levaram o computador do meu filho adolescente. Quem nos conhece sabe que não fizemos fortuna, não temos conta no exterior, levamos uma vida confortável, porém modesta. O patrimônio que temos, parte financiado, foi comprado com nossos salários. Não me cabe outra explicação que não o desvio de foco da opinião pública deste governo claramente envolvido em desvios, em ataques aos direitos conquistados pela população. Garantir o impeachment é tudo o que mais lhes interessa neste momento", concluiu.
Já a bancada do PT no Senado considerou "estranho" que a prisão tenha ocorrido "no momento em que a Nação toma conhecimento de fatos gravíssimos de corrupção que atingem diretamente o governo provisório". "A bancada não teme quaisquer investigações, desde que sejam efetuadas com isenção e com o devido respeito aos direitos fundamentais da pessoa humana e aos princípios constitucionais que regem o Estado Democrático de Direito."


