PT gasta R$ 6 milhões com reeleições
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de agosto de 2004
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Dos R$ 2,5 milhões registrados pela campanha do prefeito Nedson Micheleti em Londrina aos R$ 96 mil declarados como teto de gastos de Marcos Pescador, candidato em Vera Cruz d'Oeste (56 km a oeste de Cascavel). Os sete prefeitos do Partido dos Trabalhadores (PT) que tentam a reeleição em outubro, em todo o Paraná, registraram mais de R$ 6 milhões junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) como máximo do que poderão dispender até outubro.
Se os valores apresentam altas diferenças de uma cidade para outra, os seis postulantes à reeleição contarão também com estratégias de campanha bem distintas, apesar de a intenção de conquistar o eleitorado ser a mesma.
Dona do teto mais alto, a coordenação de campanha de Micheleti é também a que mais vai diversificar no marketing pelo nome e pelas propostas do candidato. De acordo com o coordenador Luciano Bittencourt, todo tipo de mídia será utilizado para convencer os mais de 328 mil eleitores desde material impresso até audiovisual (rádio e TV), com a novidade da campanha em site na internet. ''Nossa meta é fazer jornalismo informando o que foi feito na cidade desde 2001, além das reuniões e do gasto de muita sola de sapato'', afirmou. Para Bittencourt, os R$ 2,5 milhões de teto são ''modestos'', uma vez que foram calculados ''em cima de planejamento, em respeito prestação de contas que será feita à Justiça''. Na coligação com outros sete partidos, o total de candidatos a vereador chega a 104; 33 deles só do PT.
O segundo maior teto foi registrado em Maringá, onde o atual prefeito, João Ivo Callefi, vai enfrentar os 10 concorrentes com gastos máximos de R$ 1,6 milhão, dividos igualmente para cada turno. Ao todo, a coligação com outras duas siglas terá 29 nomes à Câmara, 21 deles do PT. Segundo o coordenador Sílvio Januário, a campanha começa efetivamente na segunda quinzena, junto com o horário eleitoral gratuito em rádio e TV. ''Vamos investir em bons programas nesses veículos, mas por enquanto o 'quente' está mesmo com os comitês de vereadores e com o corpo-a-corpo em reuniões de associações. Falta verba para fazer mais'', avaliou.
Já em Ponta Grossa, onde a majoritária petista reúne o maior número de candidatos ao Legislativo 172 (23 do PT), em uma lista de 14 partidos entre as sete cidades que tentam a reeeleição, o prefeito Péricles Holeben de Melo terá até R$ 1,5 milhão para investir em panfletagem, rádio e TV para os cerca de 204 mil eleitores e contra os seis candidatos à vaga. A informação é do coordenador geral de campanha, Luiz Slompo de Lara. ''Boa parte do material será lançado no próximo dia 14, e tudo com a ajuda de militantes voluntários'', garantiu de Lara.
Nos outros quatro municípios, as cifras menos expressivas dão o tom a campanhas mais modestas. Em Andirá (36 km ao oeste de Jacarezinho), por exemplo, o prefeito Carlos Kanegusuku tenta se manter por mais quatro anos no cargo, contra um único adversário em outubro, com o teto de R$ 150 mil. A coligação tem outras três siglas que somam 28 candidatos a vereador; 11 do PT. Segundo o coordenador Júlio Sabará, a tentativa de conquistar os cerca de 17 mil eleitores teve uma ajuda providencial para a confecção de material de panfletagem e rádio. ''Temos o patrocínio de deputados e até senadores e já fomos às ruas pedir votos'', disse.
Ajuda semelhante foi obtida em Porecatu (85 km ao norte de Londrina) pelo prefeito Dionísio Santos de Souza, explicou o coordenador Gilberto Mille. Conforme ele, o forte serão os comícios e o contato direto com os quase 10,8 mil eleitores, abalizados pelo teto de R$ 100 mil. ''Mas isso tudo foi complementado por material impresso doado por deputados paranaenses além, é claro, da propaganda em rádio'', declarou. Pura, a chapa tem nove nomes para a Câmara de Vereadores. ''Mas ainda está tudo muito muito 'cru'; na próxima semana começamos as visitas a associações de bairro e locais de trabalho'', comentou.
Em Sarandi, o prefeito Aparecido Farias Spada enfrenta os outros cinco postulantes ao Executivo também com teto de R$ 150 mil apesar de a coordenação estimar gastos reais ''de R$ 90 mil a R$ 100 mil'' para obter a maior parte do voto dos quase 52 mil eleitores. O coordenador José Aparecido da Silva disse que o dinheiro será utilizado principalmente para a panfletagem em empresas, terminal urbano e comércio. ''Mas será essencialmente uma campanha de reuniões com a população e programas de rádio'', ressaltou. O PT de Sarandi tem 17 candidatos a vereador, junto a dois do PCdoB.
Responsável pela administração petista que tenta a reeleição com o menor dos sete tetos de gastos, o município de Vera Cruz d'Oeste (56 km a oeste de Cascavel) é também o que possui o menor eleitorado: 6,6 mil, na cidade que tem dois concorrentes na disputa pela prefeitura. Coligada com outros três partidos, a campanha do atual prefeito, Marcos Pescador, registrou R$ 96 mil junto ao TRE, conforme relatou um dos coordenadores do comitê, Antônio dos Santos. ''Teremos propaganda na rádio comunitária de Vera Cruz e panfletagem, que ainda não começou'', apontou. De acordo com Santos, a exemplo de Andirá e Porecatu, a reeleição petista em Vera Cruz também terá a ajuda de políticos do Estado para a confecção do material. ''Alguns deputados estaduais forneceram 5,2 mil santinhos para cada candidato a vereador e 5,2 mil para o prefeito'', admitiu. Ao todo, a coligação tem 16 candidatos ao Legislativo; metade é do PT.


