Brasília Antes mesmo de tomar posse, Luiz Inácio Lula da Silva já está sendo obrigado a fazer uma série de concessões para criar condições de governabilidade. Os líderes do PT tiveram de ceder em várias frentes para obter apoio dos partidos na Câmara à aprovação da minirreforma tributária e da elevação do imposto sobre combustíveis. Ao mesmo tempo, Lula acenou com ministérios para todos partidos dispostos a colaborar com o futuro governo e escolheu para postos chaves de sua equipe personalidades estranhas ao PT, mas bem vistas pelo mercado.
Para o Banco Central, foi indicado o ex-banqueiro Henrique Meirelles, recentemente eleito deputado federal pelo PSDB de Goiás. Para a pasta do Desenvolvimento foi escolhido um executivo da Sadia especialista em comércio exterior, Luiz Furlan, e para a Agricultura, outro empresário bem sucedido do agribusiness, Roberto Rodrigues.
''Queremos fazer um governo de coalizão, mas isso não comprometerá o programa nem os valores defendidos pelo PT'', afirma o novo presidente do partido, deputado José Genoíno. Segundo ele, as concessões que o PT está fazendo ''estão na linha da coerência''.
Na prática, entretanto, o PT tomou duas decisões na semana passada que contrariam seu discurso histórico. Primeiro quando, em troca dos votos tucanos a favor da prorrogação da alíquota de 27,5% do Imposto de Renda (que também contraria a posição do partido), fez um acordo garantindo o regime de urgência para votação do projeto de lei que cria o foro privilegiado para ex-autoridades no julgamento de improbidade administrativa uma proposta que o partido sempre combateu.
A segunda concessão dos petistas foi dar a assinatura do partido a um requerimento que circula entre os líderes da Câmara para que seja votado o aumento dos salários dos deputados de R$ 8 mil para R$ 12,7 mil.

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