PT faz esforço concentrado para acertar contas
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sábado, 05 de novembro de 2005
Vera Rosa<br> Agência Estado 
Brasília - Depois da descoberta do esquema que ajudou a abastecer o caixa 2 petista com dinheiro público, a cúpula do PT partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva promete fazer um rigoroso ajuste fiscal. Sob nova direção, o PT já admite que não tem outra saída e vai dispensar nesta semana cerca de 50 dos 125 funcionários que trabalham na sede nacional, em São Paulo. Crítico ferrenho do superávit primário no governo Lula, o PT também apelará para uma alternativa ortodoxa, impensável tempos atrás: a economia de gastos para pagamento dos juros da dívida.
''Nossa meta é a redução de despesas da ordem de R$ 300 mil por mês'', diz o novo presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP). Deputado federal, Berzoini assumiu o cargo há 15 dias e nega conhecer os meandros do escândalo que desembocou na atual crise. Não acredita na existência do mensalão e faz de tudo para resgatar a imagem do partido, batendo boca com parlamentares do PSDB e do PFL. ''Estão querendo criar confusão política'', afirma.
A folha salarial do partido, hoje em R$ 450 mil mensais, sofrerá uma tesourada de 40% com a dispensa de funcionários nos próximos dias. No mês passado, o PT trocou o luxuoso escritório em Brasília que consumia R$ 25 mil mensais de aluguel por um conjunto de salas mais modesto. Não foi só: demitiu 17 de seus 26 colaboradores. ''De todos os cortes, para nós esse é sempre o mais dramático'', comenta Paulo Ferreira, secretário de Finanças e Planejamento e sucessor de Delúbio Soares de Castro, o tesoureiro expulso há duas semanas.
Para ilustrar o descalabro financeiro que tomou conta do PT desde que Lula assumiu o governo, o partido foi obrigado a saldar dívidas atrasadas até mesmo com o INSS e com o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que somavam R$ 1.078.290,25. ''Nós temos, hoje, uma receita incompatível com o tamanho da nossa estrutura'', observa Ferreira.
No inventário dos compromissos contratuais do PT, a nova direção descobriu um débito ''contabilizado'' de R$ 60 milhões e um orçamento líquido, previsto para 2006, de metade desse valor. O novo tesoureiro diz que a crise provocou a revisão de todos os contratos do PT. O gabinete de crise petista identificou R$ 17, 2 milhões de pagamentos atrasados a fornecedores. Até agora, renegociou R$ 529.031,34.
Berzoini chegou a lançar uma campanha de arrecadação de recursos, que irá do próximo dia 13 até 13 de dezembro. A meta é arrecadar R$ 13 milhões. Treze é o número do PT. ''Estamos nos adequando à realidade e voltando às nossas origens'', completa o secretário de Organização, Romênio Pereira. (Colaborou: Mariana Caetano/AE)


