PT faz 25 anos em crise de identidade
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Os 25 anos de fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) no Brasil comemorados hoje não vão passar em branco no Paraná. No dia 18, um jantar na sede do partido em Curitiba promete reunir lideranças históricas e atuais. No dia seguinte será a vez de um seminário com prefeitos, vices e secretários de Fazenda reunir, também na Capital, representantes da sigla em todo o Estado. Entretanto, por trás da comemoração existe o partido que padece de uma falta de identidade que lhe custou a derrota em três das quatro cidades em que disputou a Prefeitura, em outubro passado. Mea-culpa? ''Constatação'', afirmou o presidente estadual dos petistas, deputado estadual André Vargas, autor da crítica.
O parlamentar considera que as ''bodas de prata'' revelam não só o partido que mais cresceu em militantes no País, como também aquele que ainda tem um caminho longo para corrigir falhas locais. É como se, apesar de seguirem as diretrizes nacionais, algumas peculiaridades estaduais impedissem a criação de uma identidade interpretada, nesse caso, como eleição de candidato próprio. ''Aqui no Paraná o debate sempre se polarizou entre Jaime Lerner (PSB), Álvaro Dias (PSDB) e Roberto Requião (PMDB), com um ou outro petista subordinado a setores de fora como ao próprio Requião'', acusou. Já as derrotas de segundo turno em Ponta Grossa, Maringá e Curitiba ilustram as ''falhas locais'' que ele julga necessitadas da chamada ''identidade petista''.
''Dissemos que eles tinham de ter cara própria e das políticas do partido, mas adotou-se o caminho da aliança com o PMDB, que dirigiu a campanha em Curitiba, fechou demais (o leque de apoios) em Maringá e descaracterizou a disputa em Ponta Grossa'', afirmou. ''É essa imaturidade local nosso principal desafio daqui para frente'', apontou, citando como primeiro passo para o ''conserto'' a eleição da nova diretoria estadual, ainda este semestre. ''É quando tudo deve ficar mais evidente'', sinalizou Vargas.
Já para o presidente do PT em Londrina, Jacks Dias, o balanço é positivo ao menos no que diz respeito especificamente à cidade. No posto desde maio de 2000 e recém-empossado secretário municipal de Gestão Pública, Dias lembrou que a sigla foi fundada no município por uma diversificada base: de funcionários públicos a operários, passando por sindicalistas e professores, até membros da Igreja Católica e de movjmentos populares. Desde então, a base de militantes tem feito apenas crescer: dos cerca de 400 iniciais aos estimados 5 mil atuais, metade envolvida em atividades cotidianas do diretório.
''Tivemos um 'boom' de quase 4 mil filidos em 92, à época do impeachment (do ex-presidente Fernando Collor), e outro agora, na disputa com o Antonio Belinati (PSL)'', comentou. Segundo Dias, o período crítico iniciado em 97, sem prefeito ou deputados petistas eleitos por Londrina, começou a ser contornado somente dois anos depois, na articulação de uma liderança que culminou na eleição de Nedson Micheleti. O resultado efetivo do trabalho, garante, veio na reeleição do colega, em concomitância com o mandato de londrinenses no Congresso (o relator do Orçamento, Paulo Bernardo) e na Assembléia (Vargas). ''O peso político do diretório local nunca foi tão grande nos cenários estadual e nacional. Queremos preservar isso.'' Como? ''Por meio de nossa militância e das lideranças. A meta é aglutiná-las em entidades e tornar o PT popular, sem ser populista''.


