PT estruturado estimula mudança em partidos
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sábado, 04 de setembro de 2004
Carlos Marchi<br> Agência Estado 
São Paulo - O PFL pensa mudar tudo do velho programa que já tem quase 20 anos, o símbolo e até o nome em 2005. O PSDB fala em muitas mudanças no próximo ano, mas centra fogo na reestruturação financeira do partido e na obtenção de novas fontes de custeio. O PMDB também vai discutir mudanças depois das eleições e deverá defender firmemente o financiamento público das campanhas.
Os grandes e tradicionais partidos brasileiros concluíram que precisam mudar para enfrentar a organização, a estrutura e a capacidade financeira do PT. Mas nenhum pensa em copiar o formato do PT, até porque todos entendem que o PT será, cada vez mais, um partido como os outros.
''O poder muda as atitudes'', filosofa o secretário-geral do PFL, deputado Saulo Queiroz (MS), que prega uma revolução em seu partido, a partir de um grande congresso nacional programado para março de 2005. ''O PT era diferente. Agora vai ficar igual aos outros'', pondera ele, colocando ênfase na palavra ''era''. ''As pessoas não vão mais para o PT por motivação ideológica, mas por interesse pessoal'', comenta. Ele avalia que o PT chegou ao poder pela doutrina: ''Temos de fazer algo parecido'', observa, salientando que o PFL vai construir uma estrutura que apóie os dirigentes partidários em todas as instâncias.
O deputado Bismarck Maia (CE), secretário-geral do PSDB, joga suas fichas em quatro pontos: um projeto de reestruturação financeira, elaboração de uma nova política de arrecadação, recadastramento dos filiados e uma campanha de novas filiações. Ele tem como certo que o partido passará a cobrar contribuições dos filiados para engordar seu orçamento anual de R$ 22 milhões. Maia espera que esse trabalho seja facilitado pelo apoio das muitas prefeituras que ele espera ver o partido ganhar mês que vem.
Para começar, ele já tem marcada para dezembro uma grande reunião de prefeitos e vereadores que serão eleitos pelo partido em outubro. Maia quer que os filiados ao PSDB discutam um novo modelo de organização partidária que valorize o papel do partido e que, ao mesmo tempo, torne a legenda importante para seus membros em sua ação parlamentar, como mecanismo eleitoral e como organização política permanente que divulga idéias e defende programas.
O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), também já prepara uma grande reunião do partido, reunindo os prefeitos eleitos (ele espera repetir os 1.236 prefeitos que o PMDB tem hoje) e os presidentes dos diretórios estaduais para discutir o que fazer para vitalizar a organização partidária. Mas ele soletra desde já o mote que pretende dar a essa grande reunião a defesa do financiamento público das campanhas eleitorais. ''O financiamento público equipara as forças e impede as campanhas milionárias, feitas com dinheiro que ninguém sabe de onde veio, como, aliás, vemos agora em São Paulo'', diz.
Saulo Queiroz aposta muito na melhoria dos meios de comunicação do partido, que hoje já distribui resenhas e informes par uma mala direta de 60 mil nomes. Saulo e o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), se referem ao congresso de março como ''a refundação do partido''. Segundo Bornhausen, o PFL criou muitos meios eletrônicos este ano para assessorar seus candidatos às eleições municipais. Fez, inclusive, um curso de telegenia, com apoio do PP espanhol, para ensinar seus candidatos a falar na TV. O site do partido, além de ágil e bem organizado, é amigável e tem muitos instrumentos para orientar os candidatos.


