PT está na frente no Rio Grande do Sul
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domingo, 21 de dezembro de 1997
Agência Estado Porto Alegre 
Arquivo FolhaGenro: ex-prefeito de Porto Alegre é um dos que cobiçam candidaturaAdministrando a capital do Estado desde 1989, o PT tem no Rio Grande do Sul, provavelmente, sua melhor chance no País de ganhar um governo estadual. É o que tem apontado todas as pesquisas de opinião até agora. Falta saber quem será o candidato petista - Olívio Dutra ou Tarso Genro, ambos ex-prefeitos de Porto Alegre - indicado para medir forças com o governador Antonio Britto (PMDB), que deverá tentar a reeleição à frente de uma aliança de centro-direita. Olívio teria vantagem na convenção, mas a transferência desta decisão para prévias, na segunda quinzena de março, ouvindo todos os filiados, dá novo ânimo a Tarso.
Petista histórico, da tendência Articulação, e com o respaldo da corrente Democracia Socialista (DS), do prefeito Raul Pont, Olívio possuiria, teoricamente, mais de 60% dos votos na convenção do partido e chegaria a vitória. Mas a novidade das prévias, que significa consultar os 62,7 mil filiados, projeta uma névoa sobre estes percentuais. É a cartada que resta para Tarso, apoiado pelo chamado PT Amplo e Democrático e buscando atrair adeptos independentemente de tendências, que disporia de maior percentual de adesões entre a massa de filiados do que no meio dos convencionais.
Os dois disputantes estão em campanha. Na última semana, Tarso trabalhou mais na capital porém visitou outros seis municípios de quatro diferentes regiões. Olívio foi para o interior e passou por 18 cidades.
As prévias acontecerão nos 392 municípios onde o PT já está implantado, informou o secretário estadual de organização partidária, Inácio Fritzen. Ele acredita que, no máximo, 25 mil do total de filiados devam votar. Prévias envolvem o risco de racha mas o PT local tem conseguido manejar esta ameaça com maturidade. Em abril, a convenção estadual homologará o resultado das prévias e, novamente, vamos sair unidos, projeta Fritzen.
Em 1996, Pont foi indicado em prévias e o derrotado, o deputado federal José Fortunati, do PT Amplo e Democrático, virou seu vice. A corrente de Olívio fechou com Pont - vice de Tarso - enquanto o PT Amplo e Democrático apresentou o nome de Fortunati. Com a vitória de Pont foi rapidamente costurado um acordo. Manteve-se também uma tradição, a de que o vice é sempre o candidato a prefeito nas eleições seguintes, não importando a tendência a qual pertença. Foi assim com Tarso, vice de Olívio em 1988, e candidato a prefeito em 1992.
Diante das prévias, Olívio responde na linha de que o instrumento é uma coisa boa e que o importante é derrotar o projeto neoliberal de Antonio Britto. Os dois são carismáticos e ultrapassam o território ideológico do PT. Com sua imagem e jeitão de gaúcho missioneiro (da região das Missões) Olívio teria maior apelo popular, além de ser favorecido pelo resíduo das eleições de 1994, quando sua figura tornou-se mais conhecida durante a campanha contra Britto.
Tarso esgrime outro trunfo. Hábil debatedor, teria maiores recursos para enfrentar as discussões na TV e seria capaz de ampliar o leque de adesões ao partido. Resta saber o que acontecerá com Tarso se for derrotado. Liderança importante do PT no país, quase apontado para enfrentar Fernando Henrique Cardoso na disputa pela Presidência da República, o ex-prefeito poderá ficar sem cargo eletivo. Ele tem repisado que não cogita de concorrer ao Senado - uma solução lógica - e tampouco mostra interesse em ser vice.
Coligados ou não ao PDT - a senadora Emília Fernandes seria a vice - Olívio ou Tarso deverão enfrentar Britto. O governador pretende reprisar sua aliança com partidos conservadores como o PPB e o PFL, mais o PTB, que aderiu ao seu governo.


