SÃO PAULO - O PT tem pela frente uma semana agitada. Além da reunião de hoje da executiva nacional - que discutirá o comissionamento do secretário-geral, Cândido Vaccarezza, no gabinete da presidência da Câmara Municipal de São Paulo durante o período em que o malufista Brasil Vita (PPB) era presidente -, o partido irá eleger seu novo líder na Câmara dos Deputados.
Dois candidatos concorrem ao cargo de líder em substituição à deputada Sandra Starling (MG): José Machado (SP), representando os moderados das correntes Articulação e Democracia Radical, e Milton Temer (RJ), candidato da esquerda. A eleição está marcada para o dia 23, mas poderá ser antecipada de acordo com a pauta da Câmara.
A preocupação dos dirigentes petista é de que a disputa se transforme em mais uma briga por poder entre as correntes internas do PT e, passada a eleição, a bancada esteja dividida e não reconheça o novo líder como representante do partido. Por causa disso, alguns líderes defendem a escolha de um candidato de consenso, o que evitaria o enfraquecimento da bancada, cuja unidade é considerada importante para a estabilidade do partido.
‘‘O PT está vivendo um momento de dificuldade política e precisa consertar sua linha de atuação para enfrentar a reeleição e preparar-se para a eleição 1998’’, avaliou o ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro. ‘‘A bancada deve ser o foro de confirmação da estabilidade política do PT em 1997 e orientar o início de uma nova fase do relacionamento entre as correntes internas.’’
Defensor da tese de que o novo líder do PT na Câmara deveria ser escolhido de forma consensual, Tarso considera negativo o fato de o PT iniciar o ano com eleição para ocupar a liderança. ‘‘Sem a escolha de uma liderança unitária, temo que as divergências internas despotencializem o PT para 1998.’’ O ex-prefeito cita como ‘‘bons nomes’’ para ocupar a liderança o candidato Milton Temer e os deputados José Genoíno (SP) e Miguel Rosseto (RS). ‘‘Eles, assim como outros, pensam o partido estrategicamente’’, justificou.
Genoíno, no entanto, apóia a candidatura de Machado e não considera que a disputa pela liderança do partido trará problemas para o PT. Ao contrário de Tarso, ele acredita que a eleição poderá representar uma ‘‘vitória política’’ para o partido se for mantida a unidade. ‘‘As candidaturas estão postas e há um clima de disputa, mas temos um compromisso de união’’, argumentou. ‘‘Além disso, estamos tendo uma discussão interessante sobre o perfil da nova liderança, que deve ser capaz de garantir maior organização da bancada e unir a oposição (PT/PDT/PC do B/PSD).’’

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