Curitiba - O deputado estadual Natálio Stica (PT) entregou ontem o cargo de líder do governo Roberto Requião (PMDB) na Assembléia Legislativa. O pedido de afastamento de Stica é um desdobramento lógico da sucessão de atritos recentes entre PT e PMDB, que culminou na eleição do ex-líder da oposição Durval Amaral (PFL) para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na segunda-feira. Stica disse ontem que se sentiu ''traído'' pela bancada do PMDB e recusou um pedido pessoal de Requião para permanecer no cargo.
As relações entre os deputados do PT e do PMDB vêm deteriorando desde que as duas siglas foram derrotadas na eleição para a prefeitura de Curitiba apoiando Angelo Vanhoni (PT). Mas a permanência de Stica se tornou insustentável quando o PMDB decidiu vetar a indicação do nome do deputado André Vargas (PT) para a presidência da CCJ, ameaçando lançar candidatura própria. Enquanto os dois partidos discutiam, a oposição organizou-se silenciosamente e conseguiu a maioria na CCJ, debaixo dos bigodes de Stica.
A pá de cal nas relações amistosas entre as siglas veio ainda na noite de segunda-feira, segundo Stica. ''Enquanto nós do PT ainda tentávamos encontrar brechas que permitissem anular as eleições da CCJ, o PMDB se reunia com o PFL para nos trair'', desabafou Stica. Segundo os petistas, os peemedebistas fizeram conchavos para tentar minimizar os prejuízos decorrentes da perda da CCJ, mantendo a presidência das comissões de Segurança, Educação e Orçamento, esta última pleiteada por André Vargas.
Principal voz de oposição na bancada do PT, Vargas acredita que a manobra dos peemedebistas teve respaldo do próprio Requião. ''Não digo que foi uma ordem direta, mas eu sinceramente não acredito que nada disso aconteceria à revelia do Palácio Iguaçu'', afirmou Vargas.
A ''tropa de choque'' peemedebista (Antonio Anibelli, Dobrandino da Silva e Alexandre Khury) não compareceu à sessão de ontem da Assembléia, que foi destinada a homenagens pelo Dia Internacional da Mulher. Depois que a sessão terminou, porém, Khury compareceu ao plenário e negou as acusações de traição dos petistas. ''O André (Vargas) deveria lembrar antes de falar em traição que ele só foi eleito para a vice-presidência da Casa em 2003 com os votos a contragosto do PMDB. E depois ele começou a criticar costumeiramente o governador. Não houve traição nenhuma. O que houve foi uma manobra muito bem articulada pela oposição, que não foi captada pelo líder do governo'', afirmou Khury.
Até o final da tarde de ontem ainda não havia sido indicado o nome do novo líder do governo. Não se sabe se Requião vai insistir na estratégia de indicar um nome de outro partido ou se escolherá alguém do PMDB. ''O governador ainda vai decidir. Temos vários nomes do PMDB, além de outros partidos, como o Marcos Isfer (PPS) ou o Vanhoni'', lembrou Khury.

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