PT é suspeito de pagar defesa de acusados
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sábado, 13 de maio de 2006
Fausto Macedo<br> Agência Estado 
Mais que relatos confusos à CPI dos Bingos, à Polícia Federal e à Procuradoria da República, por onde peregrinou durante a semana, o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira, o Silvinho, deixou um rastro de dúvidas e reabriu a polêmica sobre quem paga os honorários de seus advogados e também daqueles que foram contratados por outros antigos dirigentes do partido que, como ele, são réus no processo criminal sobre o esquema do mensalão.
Questionado por deputados e senadores, Silvinho declarou que ''até recentemente'' o Diretório Nacional do PT bancou as despesas com o criminalista Arnaldo Malheiros Filho, que o partido escolheu para defendê-lo perante CPIs e tribunais. Mas o PT prontamente reagiu e o desmentiu. ''Diferentemente do que informou o ex-secretário-geral, o Diretório Nacional não continuou pagando seu advogado até recentemente'', informou a agremiação, por meio de nota oficial.
Malheiros foi lacônico: ''Eu não falo sobre esse assunto. É um assunto privado meu.'' No início da semana, ele deixou a defesa de Silvinho porque não concordou com a entrevista que o ex-secretário deu jornal ''O Globo''. Continua responsável pela defesa de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT.
Na mesma nota em que põe abaixo a versão de Silvinho, o PT comunicou que em julho de 2005 firmou contrato de prestação de serviços com Malheiros para a defesa de Delúbio e de Silvinho, ''então dirigentes do partido, no caso que investigava o financiamento ilegal de campanha''. O contrato estipulava o valor de R$ 300 mil como pagamento pelos serviços relativos apenas ao período de 1º de julho a 20 de setembro. ''Após esta data, como o contrato não foi renovado, as custas de eventuais serviços deixaram de ser responsabilidade do PT.''
Paulo Ferreira, secretário de finanças do PT, garantiu que ''nenhum centavo dos R$ 300 mil foi pago devido às dificuldades financeiras do partido''.
Malheiros não é o único advogado famoso a quem recorreram os acusados do mensalão. Entraram em cena outros titulares de bancas prestigiadas, criminalistas reconhecidos por sua competência, astúcia e pelos elevados honorários que cobram como profissionais que habitualmente fazem dos tribunais palco de grandes vitórias. Eles não falam sobre o valor de seus serviços nem sobre quem vai quitar as despesas. Afirmam que não é o PT o pagador.
''Em momento algum foi cogitado de o PT pagar os honorários'', destacou o criminalista Iberê Bandeira de Mello, novo defensor de Silvinho. Contrapondo com o perfil de seus defensores, os réus do mensalão e de outros escândalos do governo Lula sustentam possuir patrimônio modesto.


