Curitiba - As afirmações do deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) de que teria apoiado a candidatura do deputado estadual Angelo Vanhoni (PT) para a Prefeitura de Curitiba em troca de apoio a candidatos do interior e de uma vaga de diretor da Itaipu Binacional estourou ontem como uma bomba dentro dos quadros políticos do PT do Paraná. Todos negam qualquer tipo de acordo nas eleições municipais de 2004. Jefferson, que era o presidente do PTB Nacional, contou que o acordo teria sido fechado no Palácio do Planalto, na presença do ex-ministro José Dirceu (PT-SP).
O atual presidente nacional do PTB, Flavio Martinez, disse que não participou das reuniões com a cúpula nacional. Ele fez as negociações diretamente com os integrantes do PT, em Curitiba. Martinez disse que nem soube à época o que havia sido tratado entre os diretórios nacionais dos dois partidos. ''Para nossa coligação em Curitiba pedimos apenas participação efetiva no governo municipal, caso Vanhoni fosse eleito. A participação ocorreria através de cargos'', disse ele. O coordenador da campanha de Vanhoni, Florisvaldo ''Rosinha'' Fier, se colocou contrário a coligação desde o início.
Rosinha, que estava ontem em Buenos Aires e conversou com a reportagem da Folha por telefone, contou que todas as negociações com os partidos para coligações eram feitas no campo majoritário. ''Eu nunca soube sobre os termos das coligações até porque elas eram feitas no campo majoritário, pelos integrantes do diretório, da chapa Unidas na Luta. Todas as conversas com os partidos eram feitas por Vargas (André, presidente do PT estadual), Vanhoni, Stica (Natálio) e Samek (presidente da Itaipu Binacional)'', relatou. Na convenção, Rosinha chegou a liderar o grupo contrário a aliança com o PTB.
''Eu disse que a coligação ia contra a história do partido, contra a construção de uma nova cultura de eleições. Venceu o grupo majoritário, que era a favor de alianças pragmáticas. O preço está sendo caríssimo, altíssimo. Todas as alianças foram articuladas por eles'', salientou o deputado federal. Vargas nega que tenha participado de qualquer reunião com integrantes do PTB para tratar de eleições em Curitiba. ''Não teve qualquer reunião. Não apoiamos qualquer candidato a prefeito do PTB em nenhum lugar. Apoiamos 40 candidatos do PMDB. Se apoiamos candidatos do PTB foram vereadores, porque o Paraná tem milhares deles'', justificou.
Vargas lembrou que a aliança com o PTB foi feita apenas em duas cidades grandes: Curitiba e Ponta Grossa. E criticou o companheiro de partido, Dr. Rosinha. ''Não houve negociação de estado. Ele (Rosinha) tem que falar como dirigente do partido e não como candidato (Vargas e Rosinha disputam a presidência do PT estadual). Ele é um folgado. Todos sabem que não houve nenhuma reunião com o PTB. Ele tem que ser firme no caráter e não agir como o Roberto Jefferson'', criticou. No interior, pelo menos uma coligação entre o PT e o PTB saiu vitoriosa. A coligação em Cruzeiro do Oeste que elegeu Zeca Dirceu (filho do ex-ministro José Dirceu) como prefeito.
Samek foi procurado ontem, mas não foi encontrado. Martinez confirmou que havia mesmo a indicação de Joaquim dos Santos Filho para assumir uma das diretorias da Itaipu Binacional, que estava sendo acumulada por Samek desde a desimcompatibilização de Rubens Bueno (PPS), que saiu do cargo para concorrer à Prefeitura de Curitiba. Entretanto, Santos Filho não chegou a assumir a diretoria administrativa da Itaipu.
A assessoria de imprensa da Itaipu Binacional informou que a indicação de Santos Filho só foi feita em março deste ano, quando a vaga de diretor administrativo já estava sendo ocupada pelo engenheiro Carlos Eduardo Massafera indicado pelas bases do PPS. Massafera deixou o cargo recentemente e a diretoria está novamente vaga. Na época, havia segundo a assessoria pressão do PTB para que a indicação fosse atendida pela diretoria da Itaipu Biacional que entendeu que qualquer indicação para diretorias deveria ser ''técnica'' e não ''política''. ''Se havia algum acordo da cúpula nacional, ele não se concretizou. O acordo não se consumou. Os governos negociam realmente com os partidos aliados para garantir governabilidade. Isso é normal. Mas a Itaipu não se envolve em política'', garantiu a assessoria.

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