PT e PSDB se unem para desafiar eleição de Lerner
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segunda-feira, 27 de outubro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaSem pressaÁlvaro: definição de chapa só no ano que vemPT e PSDB do Paraná fecharam acordo ontem comprometendo-se a formar frente única de oposição à reeleição do governador Jaime Lerner (PFL), no ano que vem. Daqui a 15 dias os dois partidos voltam a se reunir para discutir um programa único de campanha. Até lá, petistas e tucanos tentam garantir a participação do PMDB, PDT, PC do B, PCB e PPS na frente anti-Lerner. No plano nacional, PT e PSDB são adversários.
A conversa que selou o pacto foi no escritório político do presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB), em Curitiba, e contou com a presença do presidente estadual do PT, ex-deputado Pedro Tonelli, e do ex-prefeito de Londrina, Luiz Eduardo Cheida. As candidaturas não foram acertadas, mas Álvaro confessou aos petistas que a sua vontade hoje é de disputar o Senado.
O PT aceitou as condições e engoliu o critério defendido pelo PSDB, de só definir a chapa em março ou abril do ano que vem, às vésperas das convenções partidárias e mediante pesquisa de opinião. Não podemos, no entanto, nos restringir. Teremos de definir juntos outros critérios de avaliação que preencham as lacunas de uma mera pesquisa de boca-de-urna, disse ontem Luiz Eduardo Cheida.
Arquivo FolhaRestriçãoCheida: não à mera pesquisa de boca-de-urnaO presidente estadual do PT concorda com Cheida e avalia que, como primeiro contato, muita coisa se conseguiu. As dificuldades em torno de um palanque único nacional não vão nos impedir. Demos o primeiro passo para a criação dessa frente, comenta Tonelli. Segundo ele, a aliança anti-Lerner pode receber ainda o reforço de setores do PPB, descontentes com a atual gestão.
O ex-governador Álvaro Dias lembrou que até o início de 98 os partidos da possível frente única de oposição devem continuar trabalhando por candidaturas próprias. Foi uma conversa bastante produtiva porque revelou que temos mais convergências do que imaginávamos. A questão nacional (disputa entre FHC e Luiz Inácio Lula da Silva) é plenamente administrável, sem implicar em deslealdade de quem quer que seja, observou.
O presidente da Telepar fez ouvidos moucos às críticas feitas pelos setores do PT contrários à aproximação. O deputado Paulo Bernardo (PT) deu entrevista para um jornal de Curitiba criticando a postura da direção e dizendo que não tem sentido uma aliança com Álvaro, tradicional adversário do PT. Se eu for perguntar no PSDB se querem a aliança com o PT, também existirão alas contrárias, disse o deputado.


