PT e PSDB preparam artilharia para campanha
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sábado, 18 de maio de 2002
Vera Rosa Agência Estado 
As munições dos dois lados estão armazenadas. Depois de duas semanas nervosas no mercado financeiro, o PT decidiu contra-atacar com o que chama de efeito 45. Não se trata de um algarismo qualquer: é o número do PSDB, o partido do presidenciável José Serra. Cansados de ouvir que Luiz Inácio Lula da Silva prega uma coisa no palanque e o PT faz outra no Congresso e também que as bolsas caem por causa do efeito Lula , os petistas preparam um dossiê com 45 medidas prejudiciais do governo de Fernando Henrique Cardoso.
Na lista há uma coletânea de assuntos surrados, como a intitulada privataria no processo de privatizações, o programa de socorro aos bancos privados, conhecido como Proer, e a denúncia de que deputados ganharam R$ 250 mil para votar favoravelmente à reeleição do presidente. Se é para entrar no ringue, eu já botei minha tropa para trabalhar, avisa o líder do PT na Câmara, João Paulo Cunha (SP). Não queremos baixar o nível da campanha, mas não vamos levar desaforo para casa.
Para o deputado José Aníbal (SP), presidente do PSDB, a ameaça não passa de um factóide. O PT virou um partido de marketing. A mira dos tucanos está centrada em alvos bem definidos. O PSDB afinou o discurso e faz as mesmas cobranças. Há três campanhas os eleitores ouvem falar da falta de experiência administrativa de Lula, mas a esse senão os tucanos somaram as contradições entre diretrizes da plataforma do PT e prática petista, o fantasma da crise argentina e um cesto repleto de erros que encontraram em governos do partido.
Queremos chamar o PT para o confronto porque é preciso sair desse declaratório de campanha, afirma Aníbal. Segundo ele, o PT é um desastre administrativo e cita como vidraças as administrações da prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, e do governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra.
Aníbal lembra ainda que o PT de Lula fala em responsabilidade fiscal, mas votou contra a lei no Congresso e até entrou na Justiça para tentar derrubá-la. No meio do tiroteio, o coordenador do programa de governo do PT, Antônio Palocci Filho, diz que o PSDB precisa entender as divergências como parte da democracia.
Precavida, a equipe do publicitário Duda Mendonça, o marqueteiro de Lula, fez uma bateria de pesquisas para saber a opinião dos eleitores sobre as principais administrações do PT, que deveriam ser vitrines, mas se transformaram em alvo fácil dos estilingues. A conclusão foi de que as prefeituras têm várias ressalvas. Mas a média geral é boa, no patamar de 60%, quando as perguntas são: o governo é sério ou governa para os mais pobres?
Para o sociólogo Antônio Lavareda, especialista em pesquisas eleitorais, as cotoveladas dos tucanos devem causar efeito colateral. A estratégia de atacar Lula não é a mais adequada para a candidatura de Serra, avalia. No seu diagnóstico, os votos que o petista perder podem migrar para o candidato do PPS, Ciro Gomes, um adversário mais perigoso no segundo turno.


