Curitiba - Os presidentes do PPS-PR, Rubens Bueno, e do PT-PR, deputado estadual André Vargas, entregaram ontem um documento ao procurador-geral de Justiça em exercício do Ministério Público (MP) estadual, Luiz Eduardo Trigo Roncaglio, pedindo agilidade nas investigações de sete crimes políticos cometidos no Paraná desde 2000. A reação veio depois que o presidente do PCdoB de Reserva (98 quilômetros ao norte de Ponto Grossa), Nelson Vosniak, foi assassinado a tiros. O crime aconteceu no último dia 15.
Além do crime cometido em Reserva, Bueno e Vargas pedem solução para outros quatro assassinatos cometidos contra membros do PPS e duas mortes de membros do PT. O primeiro crime que está até hoje sem solução é o assassinato do então candidato a prefeito de Almirante Tamandaré (região metropolitana de Curitiba), Miguel Siqueira Donha, em 21 de janeiro de 2000. Já em 2001 foram assassinados o presidente do PPS de Mariluz (35 quilômetros a sudeste de Umuarama), Carlos Alberto Carvalho, e o vice-prefeito da cidade Ayres Domingos que era testemunha do primeiro caso.
O PPS incluiu no documento também o assassinato, no último dia 11, do ex-candidato a vice-prefeito de Campo Largo (região metropolitana de Curitiba), o empresário Sérgio Roberto Marciglio. O empresário foi morto dentro da distribuidora de gás dele com um corte no pescoço. A polícia afirma que o caso pode ter sido latrocínio (roubo seguido de morte).
O PT pediu ao MP estadual agilidade na solução da morte do líder comunitário e presidente do PT de Imbituva (região dos Campos Gerais), Oscar Fachini, em julho de 2002. Segundo o partido ele vinha fazendo denúncias contra políticos e dirigentes sindicais locais. Fachini foi morto a tiros em frente de casa. Finalmente, em Ivaiporã (110 quilômetros ao sul de Apucarana), o militante petista Julião Aparecido dos Santos foi morto a tiros no seu estabelecimento comercial. O então presidente da Câmara, Antonio Vidal Real (PMDB), é acusado do crime.
Após receber o documento, o procurador-geral afirmou que vai pedir ao Centro de Apoio Operacional às Promotoriais Criminais que faça um levantamento sobre os casos para depois avaliar se é possível fazer algo a mais do que já está sendo feito. ''Eventualmente pode haver alguma dificuldade para que o Centro de Apoio possa ajudar a solucionar. Mas a demora acontece por causa do trâmite processual natural dos casos'', afirmou Roncaglio.
O presidente do PPS afirmou que todos os anos vai ao MP nesta época do ano cobrar uma solução para o caso Donha. Entretanto, apesar de não ter tido resultado até agora, Bueno acredita que o órgão ainda possa agilizar a solução do caso. ''O que atrapalha muito é a substituição de promotores e juízes nas comarcas'', reclamou.

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