Brasília - Vários partidos definiram ontem a orientação que terão suas bancadas na sessão - que será secreta - que analisa hoje o projeto de resolução que pede a cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) por quebra de decoro. O PT e o PMDB decidiram liberar suas bancadas para votarem como quiser.
Já o PSDB e DEM orientaram suas bancadas - com exceção do senador João Tenório (AL), amigo de Renan - a votarem pela cassação.
A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), disse que os parlamentares vão votar de acordo com as suas ''consciências''. ''Não houve pedido nem orientação de voto. Entendemos que não cabe porque é uma situação em que cada senador é juiz, sua convicção deve ser formada com base no processo. Não houve orientação em nenhum sentido'', disse.
Apesar de não haver a orientação explícita, a maioria dos petistas e peemedebistas deve votar pela absolvição de Renan - aliado fiel do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O próprio PMDB, partido de Renan, espera contabilizar de três a sete traições - votos pela cassação.
O senador Almeida Lima (PMDB-SE), que integra a tropa de choque de Renan, o presidente do Seando terá de 50 a 60 votos em seu favor. Para ser cassado, o peemedebista precisa do voto contrário da maioria absoluta dos senadores - são necessários 41 votos (dos 81 ssenadores) para cassá-lo.
A oposição considera o PT como ''fiel da balança'' para definir o destino de Renan, já que a bancada deve votar dividida.
Atualmente, o PMDB tem a maior bancada no Senado, com 19 senadores, seguido pelo DEM, com 17 parlamentares, e o PSDB, com 13 senadores. O PT é a quarta bancada do Senado, com 12 parlamentares no total.
Renan é acusado de ter utilizado recursos da construtora Mendes Júnior para pagar despesas pessoais, como aluguel e pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.
O presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), afirmou que é fundamental para a instituição e para a democracia que Renan perca o mandato.
''O senador (Renan) não tem mais condições de continuar no Senado, e muito menos na presidência da Casa'', afirmou o tucano. ''É necessário para a instituição e para a democracia (que a cassação ocorra).''
O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), anunciou que os 17 senadores da legenda foram recomendados a votar pela cassação de Renan.
''O que eu fiz foi recomendar o acolhimento da representação contra o senador Renan Calheiros por quebra de decoro'', afirmou Agripino.
A reunião - que terá início às 11h - será inicialmente aberta, mas, assim que o vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), começar a sessão, ela imediatamente será fechada.
Somente poderão participar da sessão secreta os advogados de Renan e do PSOL - autor da representação contra o peemedebista no Conselho de Ética do Senado -, os senadores e a secretária-geral da Mesa, Cláudia Lyra, além do secretário-adjunto, José Roberto.
Renan foi reeleito este ano à presidência do Senado com 51 votos contra José Agripino Maia (DEM-RN).

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