PT e PMDB enfrentam crise
Arquivo FolhaNedson: sem exclusividadeColigados na disputa majoritária do Paraná, PT e PMDB vivem sua primeira crise doméstica desta eleição. A política de boa vizinhança adotada pelo candidato ao governo, senador Roberto Requião (PMDB), com o ex-governador Álvaro Dias (PSDB) está incomodando o candidato do PT ao Senado, Nedson Micheleti. Com dificuldades para decolar, Micheleti quer exclusividade no apoio de Requião.
O apelo do petista virou desabafo e causa mal-estar. O grupo de lideranças que respalda a postura de Requião com o PSDB faz vista grossa e tenta driblar as reivindicações de Micheleti. O candidato ao Senado pelo PT já foi impedido de subir em pelo menos dois palanques, um montado em Cambé e outro em Rolândia. Segundo Micheleti, por ingerência de candidatos tucanos que bancaram os custos dos comícios.
O Requião está cometendo um equívoco ao ter esperanças que setores do PSDB vão anunciar apoio ao nosso grupo a semanas das eleições. O PSDB está atrelado ao projeto de FHC, que tem o Lerner como candidato único ao governo, pondera. Micheleti já tentou forçar apoio de Requião à sua candidatura, sem resultado. Ele veiculou vinheta-relâmpago de Requião pedindo votos para o Senado.
O aval dado por Requião aos deputados estaduais do PMDB para a instalação no Paraná do primeiro comitê Requião-Álvaro-FHC, que começou a funcionar nesta semana, em Curitiba, também ajudou no acirramento de ânimos. Alguns setores militantes do PT começam a refluir da campanha diante desses fatos, avalia Micheleti. Ele sabe da resistência de parte do PMDB em pedir votos para o PT.
Para a ala mais à esquerda do partido, a aliança favoreceu mais o PMDB. Florisvaldo Rosinha Fier diz que o PT tornou-se subalterno. O vice-presidente, Jorge Samek, defende a aliança e afirma que foi a opção mais vantajosa para a candidatura de Lula. O deputado estadual Luiz Claudio Romanelli (PMDB) acha que a coligação deveria assumir além de Micheleti, Álvaro como candidato oficial.
Para Romanelli, as bases partidárias do PSDB e PMDB são as mesmas. É bobagem o Requião ficar só com um candidato (Micheleti). O Álvaro está disparado nas pesquisas e sua campanha é sinérgica, com um potencial de ampliação que só beneficia o Requião, considerou.
Se depender de Requião, a crise entre PT e PMDB não será equacionada até as eleições. Ele continua sem candidato único ao Senado. Para seus aliados, a estratégia dificulta o casamento entre Álvaro e o governador Jaime Lerner (PFL) nesta eleição. Razão pela qual, nas viagens que tem feito ao interior, pede votos para Micheleti e aponta Álvaro como mais uma opção do grupo ao Senado. (L.D.)





