Os deputados Paulo Paim (PT-SP) e Pedro Fernandes (PFL-MA) defenderam ontem reajuste do salário mínimo para o equivalente a US$ 100, o que corresponde hoje a R$ 192,00, e não a R$ 180, como no início das negociações. Na opinião do deputado Paulo Paim, o governo tem condições de dar o reajuste porque acumula superávit de R$ 14 bilhões acima da meta comprometida com o Fundo Monetário Internacional.
De acordo com Paim, a luta do PT sempre foi por um salário de US$ 100 e quando se alcançar esse patamar o partido passará a lutar por US$ 150 e US$ 200 que corresponde a média do salário mínimo dos países do Mercosul. ‘‘Se a Constituição fosse cumprida, o salário mínimo deveria ser de pelo menos R$ 1 mil para permitir que o trabalhador e sua família tenham uma vida com dignidade’’, afirmou.
Paim observou ainda que às vésperas da eleição o governo acenou com um discurso de que daria um aumento real para o salário mínimo, além de garantir a recomposição das perdas das contas do FGTS em razão dos planos econômicos Collor I e Verão. ‘‘Mas agora o governo parece ter esquecido tudo de novo. O governo parece não ter aprendido a lição das urnas. Mas não se esqueçam: 2002 vem a풒, advertiu o deputado referindo-se à eleição presidencial de 2002.
O deputado Pedro Fernandes, por sua vez, afirmou que, para o governo obter recursos para reajustar o mínimo ao equivalente a US$ 100, bastaria reduzir a taxa básica de juros (Selic) em um ponto porcentual.
Fernandes também defendeu que o aumento de 11,98% concedido aos servidores do Judiciário seja estendido ao Legislativo. ‘‘A Câmara dos Deputados não tem nada que discutir, assim como o Senado Federal. Devem é estender a decisão tomada aos seus funcionários, doa a quem doer; e vamos buscar o dinheiro para pagá-los’’, disse o parlamentar.
As declarações dos deputados foram prestadas no Congresso. Apesar do ponto facultativo estabelecido pelo governo, a Câmara dos Deputados teve expediente na manhã de ontem. Compareceram à Casa 21 deputados, sendo que seis deles participaram da sessão do plenário, que durou pouco mais de duas horas. A discussão sobre o reajuste do salário mínimo dominou os debates.