Brasília - Depois de se reunir no fim da manhã de ontem com Tião Viana (PT-AC) e o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), a líder petista no Senado, Ideli Salvatti (SC), reafirmou a decisão de ''honrar o compromisso com o PMDB da Câmara'', elegendo o deputado Michel Temer (SP), que também preside o partido. O PDT também anunciou o apoio duplo a Viana e Temer. Nos bastidores dos dois partidos, no entanto, a avaliação é de que o ''efeito Sarney'' tem impacto negativo sobre a candidatura de Temer e pode arrastar a definição para um segundo turno.
Embora Temer esteja confiante na vitória folgada com pelo menos 300 votos (o mínimo necessário são 257), seus adversários contabilizam o ganho de uma centena de votos por conta do efeito Sarney. É grande a resistência de petistas e pedetistas a entregar o comando das duas Casas do Congresso a uma única legenda. Tanto é assim que a executiva nacional e as bancadas pedetistas aprovaram uma emenda ontem, marcando nova reunião para reexaminar o apoio a Temer na próxima semana, caso Sarney mantenha sua candidatura.
''Esta decisão foi unânime, para explicar que, ao apoiar Temer na Câmara, exige-se que as duas Casas não serão presididas pelo mesmo partido'', relatou o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). A reação só não foi maior porque o ministro do Trabalho e presidente licenciado do PDT, Carlos Lupi, ponderou que já havia dado apoio público a Temer e não poderia ser desautorizado.
Parlamentares dos dois partidos recusam-se a fortalecer o grupo de Sarney e do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Os petistas responsabilizam Renan pelo lançamento ''surpresa e fora de hora'' do peemedebista. Estão empenhados em derrotar Sarney não só para dar vitória a Tião como para não dar força ao senador alagoano, que agora é visto como maior adversário do PT na sucessão do Senado. Como o PMDB da Câmara e do Senado também disputam poder internamente, o compromisso de honrar o acordo com Temer é reforçado, para impedir que Renan saia vitorioso.
''Não há como negar que a candidatura Sarney tem repercussão na eleição da Câmara, mas vamos trabalhar para eleger Temer'', diz a líder Ideli, ao admitir que o PT não pode dar as costas ao candidato de um partido que tem 90 votos na Câmara e pode desestabilizar o governo se for para a oposição.
Ao mesmo tempo no entanto, Ideli adverte que ''o voto é secreto, para o bem e para o mal''. Nessa condição, acrescenta, os líderes e as direções partidárias indicam o candidato, trabalham por ele e monitoram suas bancadas, mas, certeza absoluta na garantia do voto ninguém tem. A sucessão nas duas Casas está marcada para 2 de fevereiro.

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