Líderes do PT e do PCdoB no Estado chegaram a um consenso sobre a polêmica divisão do tempo entre os dois partidos no horário eleitoral gratuito. A discussão vinha se arrastando há quase dois meses. Foi preciso a interferência do secretário nacional de organização do PT, Joaquim Soriano, para pôr fim ao impasse. Ele esteve ontem em Curitiba para conversar com as lideranças dos dois partidos. ‘‘Houve acordo’’, afirmou Soriano.
Ele explicou que o PCdoB decidiu ceder todas as inserções a que teria direito no horário gratuito para a coligação. As inserções de segunda a sábado são de 10 segundos cada e serão incorporadas para chamadas institucionais da coligação. Além disso, o PCdoB destinou outros 10 segundos do tempo de propaganda de seu único candidato a deputado federal - Ricardo Gomyde - à campanha do PT. ‘‘Conseguimos garantir o direito dos partidos da frente, e dos menores partidos em terem seu espaço’’, explicou o dirigente nacional.
Ele admitiu que havia uma tensão entre os filiados do PT. Alguns não gostaram do acordo. ‘‘Mas temos de considerar que a aliança é nacional’’, amenizou. O secretário-geral do PCdoB no Estado, Milton Alves, disse que o partido cedeu, mas considerou o saldo positivo. ‘‘Se fosse para fazer como alguns setores do PT queriam, eliminaríamos o nosso tempo’’, argumentou.
O encontro estadual do PT havia decidido condicionar a coligação proporcional com o PCdoB à igualdade de divisão de tempo no horário gratuito entre petistas e comunistas. ‘‘Infelizmente por mesquinharia, alguns proporcionais fizeram um fogo de barragem desnecessário’’, criticou Alves.
Apesar do acordo, alguns setores do PT ainda estão ressentidos. É o caso do vereador e candidato a deputado federal Natálio Stica, que organizou um manifesto assinado por 80% dos candidatos do PT, pedindo o cumprimento da decisão do encontro. ‘‘O acordo de hoje (ontem) mostrou como o PCdoB age como sanguessuga, só quer privilégio. Mas isso vai ter consequências nas próximas coligações’’, ameaçou. Ele reclamou que Gomyde terá 30 segundos no rádio e na TV às terças, quintas e sábados, enquanto os 20 candidatos a deputado federal do PT terão apenas 12 segundos por semana cada um. No caso dos estaduais, Stica calcula 12 segundos, a cada 20 dias. (P.Z)

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