Até então sozinho nos ataques, agora o PT de Londrina conta com a ajuda do PP de José Janene na artilharia contra o PSDB de Luiz Carlos Hauly. Nesse final de semana, representantes das duas siglas acusaram o tucano de pedir apoio financeiro para apoiar as respectivas campanhas à Prefeitura, no segundo turno do pleito, uma vez que Hauly havia ficado no terceiro lugar pela disputa.
As novas acusações aconteceram no mesmo dia (sábado), quando o deputado estadual André Vargas, um dos coordenadores da campanha de Nedson Micheleti (PT), afirmou em entrevista a uma rádio da cidade que Hauly teria procurado o prefeito para pedir R$ 500 mil pelo apoio. Horas mais tarde, foi a vez de Janene dizer em um telejornal local que o mesmo havia acontecido com a coligação que ele coordenava, a qual apoiava a eleição de Antonio Belinati (ex-PSL, atualmente no PP).
Ontem, tanto Janene quanto Vargas reforçaram a denúncia e negaram qualquer ligação entre ambas, feitas quase um ano após o fim do período eleitoral. ''Estamos sendo atacados por motivações políticas do PSDB, mas tudo tem limite'', disse Vargas, referindo-se novamente uma suposta participação dos tucanos na denúncia da ex-assessora da campanha do PT, Soraya Garcia, e justificando a demora em expor a situação que teria ocorrido. ''Agora é hora de discutir os bastidores, as entranhas da campanha. Temos provas testemunhais disso'', garantiu, citando nomes que trabalharam na campanha do PT, como o agora vereador Gláudio Renato de Lima.
Ontem à tarde, o prefeito Nedson confirmou a versão do parlamentar, apesar de contradizer a versão quanto às provas da abordagem de Hauly. ''Não tenho como comprovar, pois foi uma conversa apenas entre mim e o deputado, no começo do segundo turno'', justificou. De acordo com ele, o PT até procurou os rivais para pedir apoio na etapa final, mas Hauly teria preferido a conversa a sós, em um hotel da Área Central. ''Ele me disse que tinha dívidas campanha de R$ 500 mil, mas falei que não possuía aquele montante. Tempos depois, eles anunciaram a neutralidade, aí saí em busca das lideranças individuais do PSDB'', salientou.
Nedson garantiu que a exposição da suposta conversa foi feita apenas agora ''porque fui procurado pela imprensa para falar''. Adiante, porém, deu o tom da crítica, mesmo negando o caráter de retaliação. ''Veio à tona esse embate político que está acontecendo, e, além do mais, houve uma fala do Janene levantando essa questão''.
O líder do PP assegurou que suas declarações foram seguidas às de Vargas, e ''apenas porque fui perguntado em uma entrevista sobre isso''. ''Ele (Hauly) me pediu essa quantia de dinheiro, e se disser que não, é mentiroso'', avisou, para fazer uma ressalva: ''Não quero polemizar, essa é uma briga entre PT e PSDB. Mas pedir dinheiro em troca de apoio é uma prática normal'', defendeu.
O tucano classificou as denúncias de ''manobras direcionistas'', ao mesmo tempo em que as considerou uma forma de dispersar atenção das investigações de mensalão, no Congresso (onde Janene enfrenta um processo de cassação), e de verba não contabilizada no PT, em Londrina. ''É uma trama grande entre as duas partes, nunca falei de dinheiro com ambas e vou tomar as providências jurídicas contra isso. Querem dar um 'abraço de afogado' em todo mundo, isso sim'', atacou.

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