A cúpula do PT aumentará a pressão para que Luiz Inácio Lula da Silva decida logo sobre sua candidatura à Presidência da República, em 1998. Depois de adiar a volta a São Paulo, prevista para ontem, Lula chega nesta hoje da Itália ainda indeciso sobre a possibilidade de entrar no páreo. Na reunião da executiva nacional do partido, segunda-feira (27), os petistas vão dizer a ele que sua hesitação está atrapalhando as negociações com o PDT, o PSB e o PC do B para lançar uma candidatura única de oposição.
Mas, mesmo que não ouçam uma resposta definitiva de Lula, dirigentes do PT vão manter a versão de que ele é ‘‘candidatíssimo’’, como tem afirmado o presidente do partido, José Dirceu. Motivo: ainda na expectativa de um sim de Lula, querem ir levando os possíveis aliados em banho-maria.
Um exemplo dessa estratégia foi dado há dois dias, quando Dirceu afirmou publicamente que o presidente do PDT, Leonel Brizola, é ‘‘um excelente nome’’ para ser vice numa chapa liderada por Lula. Em conversas reservadas, porém, os petistas admitem que não gostariam de ter Brizola como vice de Lula e a chapa já foi chamada por eles de ‘‘pão com pão’’, por não acrescentar nenhum ingrediente além das fronteiras da esquerda.
‘‘Mas é melhor ter o Brizola conosco do que contra nós’’, disse um integrante da executiva do PT. Se decidir concorrer ao Planalto, Lula tentará conseguir um vice que amplie sua candidatura. Tem simpatia pelo ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence, mas sabe que ele não aceita ser vice. Pertence está sendo assediado pelo PSB.
O ex-governador do Rio Leonel Brizola, presidente nacional do PDT, disse ontem que as negociações com o PT para tornar viável uma aliança entre os dois partidos, tanto nacional como regional, estão a passos lentos e que a coligação pode naufragar. Ele quer que o PT defina de forma rápida se estará ou não unido ao PDT na disputa pelo governo do Estado do Rio e nas eleições presidenciais em 1998.
Brizola, no entanto, ainda tem esperanças de que a aliança com o PT se concretize. Brizola admitiu que o lançamento de sua candidatura em São Paulo teve o objetivo de cobrar do PT uma definição em relação às alianças nacional e regionais. ‘‘As questões regionais estão atrasando a aliança nacional’’, declarou Brizola. De acordo com a avaliação do ex-governador, o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, deverá ser o candidato do PT.

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