PT é acusado de usar CPI para montar dossiês
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quarta-feira, 11 de agosto de 2004
Agência Estado 
Brasília - Os dois principais partidos de oposição, PSDB e PFL, acusam setores do PT de usarem informações sigilosas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Banestado no Congresso para montar um banco de dados sobre os adversários e setores importantes da sociedade com o objetivo de reutilizá-los como munição política na campanha eleitoral de 2006. Nos bastidores, há petistas confirmando que dispõem de documentos que ''comprometem o núcleo do PSDB'' - o que, segundo eles, explicaria ''o desespero'' desses oposicionistas.
''Tenho a certeza absoluta de que esse banco de dados existe e, pior, que é indesmontável'', acusou ontem o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Representante do núcleo tucano, Jereissati é um dos mais revoltados com o que considera quebra indiscriminada de sigilo pela CPI. A situação ''é gravíssima'', diz, por uma razão: ''Mesmo que incinerem os documentos originais ou os devolvam ao Banco Central (BC), as cópias ficarão no banco de dados do PT.''
Do lado petista, considera-se que a ofensiva de líderes do PSDB para atingir os presidentes do BC, Henrique Meirelles, e do Banco do Brasil (BB), Cássio Casseb, nada mais é do que uma reação desesperada do partido.
Empenhado em contornar a situação junto ao tucanato, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), reforçou a crise. Em telefonema ao líder do PSDB na Casa, Arthur Virgílio (AM), Mercadante revelou que o relator da CPI mista do Banestado no Congresso, deputado José Mentor (PT-SP), agia sem consultá-lo. ''Não tenho controle sobre o Mentor'', disse a Virgílio, segundo relato de um tucano, na reunião da executiva nacional do PSDB, ontem.
O líder do PFL no Senado, José Agripino (RN), lembra que ainda, no início dos trabalhos da CPI, foi quebrado o sigilo de expoentes da mídia nacional e, logo depois, de empresários e banqueiros.
''O raciocínio que se fez, a partir daí, é que o PT investiu neste arquivo para ter a mídia sob controle e financiamento fácil em suas futuras campanhas'', resumiu. ''Este é um método maquiavélico e tão rasteiro, que chega a ser inacreditável. Mas tenho visto hábitos do PT que são, por vezes, muito rasteiros'', analisou.
Nessa disputa, o pedido de convocação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do candidato a prefeito de São Paulo José Serra (PSDB), pela CPI, foi apresentado como um aviso ao comando tucano.
Os tucanos e pefelistas que atuaram ontem para baixar o termômetro da crise política em torno da CPI mista do Banestado reconhecem que a operação de montagem do banco de dados envolve apenas um segmento do PT. Segundo eles, trata-se do grupo mais ligado ao chefe da Casa Civil, José Dirceu, amigo de Mentor e responsável pela indicação dele para a relatoria do inquérito do Banestado.


