Brasília - Perto de completar 100 dias, o governo Lula vai enfrentar hoje seu primeiro teste na Câmara, na votação da emenda constitucional que regulamenta o sistema financeiro nacional. Depois de enquadrar os rebeldes do PT e controlar os dissidentes do PSB, o Palácio do Planalto continuará sem maioria e deverá contar com os votos dos partidos de oposição, como o PFL e o PSDB, para garantir a vitória da proposta que abre caminho para a autonomia do Banco Central.
O acordo costurado durante as últimas semanas teve o ato final na visita que o presidente nacional da legenda, José Genoíno, fez ontem a três dos principais críticos da PEC, os deputados Babá (PA), Luciana Genro (RS) e Lindberg Farias (RJ). Eles vão votar a PEC, mas com restrições: vão apresentar uma declaração de voto em separado, preparada pelo ex-deputado Plínio de Arruda Sampaio, posicionando-se contra a emenda, que abre caminho para a autonomia do Banco Central. Eles vão dizer que são contra a autonomia do BC e favoráveis à manutenção, na Constituição, do tabelamento de juros em 12% ao ano.
''O governo vai passar com louvor no seu primeiro teste na Câmara. Teremos mais de 400 votos'', previu ontem à noite o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. A única dissidência na base governista deverá ficar por conta do PDT, por orientação do ex-governador Leonel Brizola. Os 16 deputados do partido, que controla o Ministério das Comunicações, prometem votar contra a proposta.
Para aprovar a emenda, são necessários 308 dos 513 votos da Câmara, mas a base do governo Lula na Câmara tem apenas 253 votos. Com a adesão de tucanos, pefelistas e integrantes do PMDB, a vitória do governo está praticamente certa. Mas para obter o apoio da oposição, o Planalto foi obrigado a ceder, desistindo de votar uma proposta do petista Virgílio Guimarães (MG) e pôr em votação a emenda de autoria do ex-senador José Serra (PSDB-SP), já aprovada no Senado.

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