A decisão do PT paulista de buscar o diálogo com o ex-governador Orestes Quércia (PMDB), iniciativa que ganhou o apoio do presidente de honra do partido, Luiz Inácio Lula da Silva, desagradou aos petistas do Rio Grande do Sul. O PT gaúcho é hoje uma das principais frentes da legenda no Brasil e a posição contrária às conversas com Quércia em São Paulo pode aumentar as dificuldades enfrentadas pela cúpula petista, que tenta realizar a aliança nacional das oposições, em 1998, sem descartar os acertos regionais.
O PT está à frente da prefeitura de Porto Alegre há três mandatos e ocupa os primeiros lugares na preferência do eleitorado para o governo do Rio Grande do Sul, segundo as pesquisas de opinião. Além disso, um dos postulantes ao direito de disputar pelo partido a sucessão do governador Antônio Britto (PMDB), o ex-prefeito Tarso Genro, é também o nome mais cotado para enfrentar a corrida presidencial, caso Lula desista. Ontem, o prefeito da capital gaúcha, Raul Pont (PT), criticou a direção petista em São Paulo e considerou a declaração de Lula um ‘‘equívoco político’’.
No domingo, em entrevista à televisão por assinatura GloboNews, o ex-presidente do PT defendeu as conversas com Quércia e deixou claro que, por ser oposição ao governo de Fernando Henrique Cardoso, o ex-governador encaixa-se no projeto petista de montar uma frente eleitoral contra a candidatura do presidente. ‘‘Acho que, se o governador Quércia quiser conversar, o PT em São Paulo tem de conversar’’, chegou a afirmar Lula.
‘‘Foi uma surpresa’’, disse Pont. De acordo com ele, o PMDB não está no campo de alianças do PT. ‘‘Mas está no governo de Fernando Henrique e faz a mesma política do presidente nos Estados onde ocupa o Executivo, mesmo que apresente confusões internas’’, lembrou ele. O presidente regional, Júlio Quadros, também criticou a idéia de negociar uma aliança com Quércia. ‘‘A história política dele é oposta à do PT.’
Quadros não quis falar sobre as articulações do PT de São Paulo, mas Pont não poupou os petistas paulistas: ‘‘O partido em São Paulo vem cometendo erros que acabam prejudicando a condução da política do PT em todo o País.’ O prefeito disse ter telefonado anteontem para alguns integrantes da executiva nacional e, ‘‘houve uma tentativa de minimizar o episódio.

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