Brasília - O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares identificou pela primeira vez os diretórios regionais que receberam recursos dos empréstimos tomados pelo publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza e depois repassados para o partido. À CPI do Mensalão, Delúbio disse que o dinheiro foi usado para cobrir dívidas de campanha no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal. O Paraná ficou de fora.
Delúbio reafirmou que os dirigentes do PT, os deputados endividados e o ex-ministro José Dirceu sabiam das dívidas do partido, mas disse que eles não sabiam como foram negociadas.
Ao indicar o nome dos diretórios que receberam os recursos, ele deixou de fora o Estado do Pará, do deputado Paulo Rocha (PT-PA), que está na lista dos sacadores das contas de Valério no Banco Rural. À CPI, Delúbio afirmou que o deputado sacou o dinheiro como presidente regional do partido.
O ex-tesoureiro também desmentiu o presidente regional do PT de Brasília, Wilmar Lacerda, e do vice, Raimundo Ferreira da Silva Júnior, que declararam à Polícia Federal terem sacado recursos do Banco Rural e terem entregue o dinheiro a Delúbio. Ferreira disse à PF que pegou um envelope com R$ 100 mil com um funcionário do Banco Rural e entregou ao então tesoureiro Delúbio Soares.
Culpados - Sobre os envolvidos no escândalo, Delúbio afirmou que ''não há como culpar uma pessoa pela crise política que o país enfrenta e que levou o PT ao maior racha de sua história''.
''Eu não me acho culpado, mas assumo toda a responsabilidade pelos meus atos'', acrescentou; Delúbio confirmou ter feito negociações financeiras com vários partidos da base aliada e citou nominalmente o PP, PMDB, PTB e PL. Ele detalhou como eram feitas as negociações e informou que com o PP os valores foram negociados com o líder do partido na Câmara, José Janene (PR).

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