PT do Paraná elege novo presidente
Leandro Donatti
De Curitiba
O PT se reúne hoje em convenção estadual para eleger o novo presidente do partido no Paraná. Salvo desistência ou acordo de última hora, três candidatos concorrem ao cargo: o deputado federal padre Roque Zimmermann; o ex-deputado federal Nedson Micheleti; e Márcio Pessati, assessor do também deputado federal Florisvaldo Rosinha Fier. Os três passaram a semana buscando o apoio dos cerca dos 500 delegados com direito a voto na convenção, que se realiza na Assembléia Legislativa, em Curitiba.
Para vencer a convenção, o candidato precisa obter a maioria simples (50% mais um) dos votos válidos. Caso contrário, o partido realiza segundo turno, hoje mesmo. Os petistas estão reunidos desde ontem para discutir temas e estratégias que serão adotados pela sigla nas eleições do ano que vem. O presidente que será eleito no final da tarde vai conduzir o processo eleitoral e fazer cumprir as regras e o leque de alianças a ser costurado.
A disputa pelo cargo mais importante do PT do Paraná está polarizada entre Nedson Micheleti e padre Roque. Os dois integram a ala light do PT. Nedson, assumidamente. Padre Roque prefere se auto-definir como um candidato independente. Márcio Pessati corre por fora, ora tem um discurso parecido com o de padre Roque, ora é mais hard. Já concorreu ao cargo, mas não venceu. Representa o PT mais à esquerda. Se tivesse que escolher com quem fazer acordo, faria com padre Roque, passando longe de Nedson Micheleti.
Nedson conta com os apoios das lideranças mais significativas. As bancadas estadual e federal, à exceção de padre Roque, votam nele. Segundo mais votado na disputa pelo Senado, em outubro de 98, Nedson está sem mandato desde fevereiro deste ano. Quer o comando do PT para pavimentar seu projeto de eleger-se prefeito de Londrina. Defende a manutenção do leque de alianças com o PMDB do senador Requião e partidos tradicionalmente de esquerda como o PCdoB, PCB, dentre outros. É considerado o favorito por fazer parte o grupo que hoje é maioria.
Padre Roque adotou o discurso de que o PT está ausente. Precisamos recuperar a mística do partido. Está faltando garra, um PT mais engajado e vibrante, avalia. A ausência, na avaliação do deputado federal, não é apenas nos assuntos internos mas também em alguns momentos políticos. Padre Roque defende uma nova política de finanças, com a implantação de orçamento participativo nas contas da sigla. Mais que coligar, Padre Roque bate na tecla de que o PT precisa formar chapas próprias, sem depender de PMDB ou de qualquer outra sigla.
A postura de Márcio Pessati se assemelha. O assessor de Rosinha acha que o PT tem de mudar essa imagem de partido adesista. Isso tem nos prejudicado. Elegemos um deputado federal e um estadual a menos, contabiliza. Pessati também quer implantar orçamento participativo. Bem como reorganizar os diretórios municipais. Temos de ter um controle mais efetivo de quem é quem no PT, pondera. Se eleito, Pessati não vai permitir nas eleições de 2000 coligações do PT com partidos como PTB, PFL e PSDB, da base de sustentação dos governo federal e estadual.





