São Paulo - O PT reagiu com duras críticas à escolha do juiz Sérgio Moro como ministro da Justiça e Segurança Pública no governo de Jair Bolsonaro. Para o partido, Moro revelou "imparcialidade como juiz" após ter condenado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aceitado o convite do presidente eleito. "Sua máscara caiu", diz nota da Executiva Nacional da legenda.

Advogados de Lula vão alegar que ida de Moro para o ministério comprova tese de que o juiz foi parcial ao condenar ex-presidente
Advogados de Lula vão alegar que ida de Moro para o ministério comprova tese de que o juiz foi parcial ao condenar ex-presidente | Foto: Nelson Almeida/AFP



Após o anúncio de Moro para o ministério, o PT afirmou que reforçará a campanha pela liberdade do ex-presidente e cobrou que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) "paute imediatamente" o julgamento da representação protocolada pelo partido em 2016 depois da divulgação de conversas entre Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff.

"O juiz que atuou tão fortemente contra Lula é o mesmo que beneficiou os verdadeiros corruptos da Petrobras e seus agentes, que hoje gozam de liberdade ou prisão domiciliar, além dos milhões que acumularam, em troca de depoimentos falsos, de claro cunho político", diz a nota.

Para o PT, a indicação "é mais um sinal de que o futuro governo pretende instalar um estado policial no Brasil" por causa das declarações do vice-presidente eleito, general Mourão. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Mourão afirmou que houve sondagem a Moro ainda na campanha eleitoral.

HABEAS CORPUS

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara um habeas corpus que tem como fundamentação o fato de o juiz federal Sérgio Moro ter aceitado o convite para assumir o Ministério da Justiça no governo Jair Bolsonaro.

Segundo pessoas com acesso à defesa de Lula, os advogados vão alegar que a ida de Moro para o ministério comprova a tese de que o juiz foi parcial e tinha motivações políticas para condenar o ex-presidente e tirá-lo da corrida presidencial. O HC deve ser encaminhado aos tribunais superiores.

Um dos argumentos será a declaração do vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão, de que o convite a Moro foi feito ainda durante a campanha eleitoral e que o juiz liberou a delação do ex-ministro Antonio Palocci, cujo principal alvo é Lula, apenas seis dias antes do primeiro turno das eleições.

A liberação da delação de Palocci às vésperas da eleição é um dos pontos nos quais petistas e advogados de Lula vão explorar para reforçar a narrativa de que Moro tratou o ex-presidente com parcialidade.

"É uma indecência. Mostra claramente que ele (Moro) sempre misturou a atividade jurisdicional dele com a política", disse o deputado Wadih Damous (PT-RJ), que integra a defesa do ex-presidente.

Para ele, Moro deve se afastar imediatamente de todos os processos que envolvam Lula.

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, que tirou dois dias de folga com a família na Serra da Mantiqueira, se pronunciou por meio de uma rede social. Segundo ele, a elite brasileira não compreende o conceito de república e o significado da escolha de Moro ficará por conta da imprensa e entidades internacionais.

"Se o conceito de democracia já escapa a nossa elite, muito mais o conceito de república. O significado da indicação de Sérgio Moro para Ministro da Justiça só será compreendido pela mídia e fóruns internacionais", escreveu Haddad. (Ricardo Galhardo/A.E.)

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