Curitiba - A Executiva Estadual do PT no Paraná se reúne, nesta segunda-feira, pela primeira vez desde a eleição dos novos membros. Em pauta estará a situação criada pelas acusações desferidas pelo governador Roberto Requião (PMDB) contra o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo (PT). ''É inevitável que se discuta isso já que a função da Executiva é analisar a conjuntura'', adiantou o presidente do PT-PR, deputado Ênio Verri.
A crise entre PT e PMDB pode tornar alvo da discussão inclusive a possibilidade dos petistas deixarem a base do governo do Estado. A expectativa, no entanto, é que a Executiva opte por manter a defesa do ministro, sem se afastar do governo. A meta é manter o diálogo com outros interlocutores do PMDB e contar os dias até que Requião deixe o governo, o que deve acontecer no próximo dia 31.
O próprio ministro Paulo Bernardo admite que o diálogo com a administração estadual tem acontecido via o vice-governador Orlando Pessuti e secretários de governo. Em entrevista à FOLHA esta semana, Bernardo disse que tem ''bom diálogo'' com Pessuti e que espera ter um relacionamento ''mais produtivo'' com o governo quando o vice-governador assumir a chefia do Executivo estadual, em abril.

Nota de repúdio
Ontem a Executiva Estadual do PT divulgou nota oficial na qual repudia as declarações de Requião, as quais classica como ''desprovidas de qualquer vínculo com a verdade''. O texto, porém, não abordou a participação do partido no governo do Estado.
Para Verri, a decisão sobre o futuro do relacionamento entre PT e PMDB no Paraná é da Executiva do partido. ''Há setores que defendem o rompimento. Mas acho que a última coisa que queremos criar é um racha e deixar as forças neoliberais tomarem conta do Estado'', defendeu. A tese defendida por quem advoga pela diplomacia é a de que a prioridade petista deve ser manter as tentativas de garantir um palanque PT-PDT-PMDB para Dilma Rousseff (ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata à Presidência da República) no Estado.
''Até defendo a saída do governo. Mas o que me impede de assumir essa posição é o ótimo relacionamento que o PT tem com o PMDB, com o Pessuti'', declarou o deputado federal André Vargas (PT). Para Vargas, Requião ''teme o processo eleitoral''. ''Ele está com receio de enfrentar a eleição contra a Gleisi (Hoffmann, pré-candidata do PT ao Senado)'', arriscou. ''Não vai ser surpresa se ele fechar um acordo para o PSDB deixar de lançar o (Gustavo) Fruet (deputado federal) para o Senado'', completou.
Já o governador Requião manteve o tom de acusação contra o ministro em suas mensagens no Twitter. Ao comentar a inauguração do Hospital de Francisco Beltrão, que deve acontecer hoje, ele afirmou que o projeto foi ''construído com preços do Paraná e não do Paulo Bernardo''. ''Vamos amadurecer a ponto de podermos criticar e apontar erros e desvios do PT sem sermos chamados de direitistas'', disse em outra mensagem.

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