Dois deputados moderados de São Paulo disputarão a liderança do PT na Câmara Federal, em fevereiro, em substituição ao sergipano Marcelo Déda, também considerado light: José Genoino e João Paulo Cunha, que elegem o ajuste fiscal e a reforma política como os dois temas de destaque nas discussões de 1999 do Congresso. Ambos vêem com simpatia a defesa de uma agenda alternativa de debates por parte da oposição, mas divergem quanto à forma de apresentação das propostas.
Deputado mais votado do País, o ex-guerrilheiro Genoino sustenta que as negociações com o governo, se ocorrerem, devem ser feitas via Congresso. ‘‘Uma reunião no palácio é um gesto para a mídia, mas de pouca eficácia’’, observa. Ex-metalúrgico de Osasco, João Paulo conseguiu a façanha de ser reeleito sem praticamente fazer campanha, pois sofreu um acidente de carro e ficou engessado por mais de três meses. Para ele, se o presidente FHC acenar com a possibilidade de novo diálogo, a bancada petista pode e deve comparecer ao Palácio munida de uma pauta que conteria, ainda, uma avaliação do partido sobre o impacto negativo do acordo com o FMI.
João Paulo também incluiria nessa agenda o atual debate sobre mudanças na lei trabalhista e regulamentação da Previdência. ‘‘Todos esses assuntos podem ganhar contornos de negociação com o governo’’, diz o deputado, que vai apresentar, no retorno às atividades da Câmara, um projeto de reforma política.
O texto dispõe, entre outras coisas, sobre o voto facultativo, o aumento gradual da representação parlamentar para Estados do porte de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro e a competência da Câmara e do Senado. ‘‘É preciso reavaliar o papel dessas duas casas porque assim não dá: a Câmara toma uma decisão e o Senado revisa’’, concorda Genoino. Para evitar o ‘‘pingue-pongue’’, ele propõe que as emendas sejam apreciadas em conjunto pelo Congresso. Genoino também vai sugerir a criação de uma comissão específica na Câmara para tratar da reforma política.
Outro ponto de convergência entre Genoino e João Paulo diz respeito às pretensões políticas: os dois querem disputar a eleição em 2000, para as prefeituras de São Paulo e Osasco, respectivamente. Genoino ressalva, no entanto, que não concorrerá se a deputada Marta Suplicy (PT-SP), derrotada em outubro para o governo paulista, entrar no páreo.
Apesar das afinidades, os pré-candidatos a líder do PT na Câmara não chegam a acordo quando o assunto é a administração de Mário Covas. João Paulo afirma que o tucano seguiu a cartilha do neoliberalismo, esqueceu a área social e privatizou estatais com prejuízo para o Estado. Com raciocínio oposto ao do colega, Genoino acredita que seu partido deve fazer uma ‘‘oposição com diálogo’’ em São Paulo.

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