PT deve R$ 12 milhões a empresa do vice Alencar
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sábado, 01 de outubro de 2005
Ana Paula Scinocca<br>Agência Estado 
São Paulo - Aliado fundamental para a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nem José Alencar (PMR), vice-presidente e ministro da Defesa, escapou da administração desastrosa das finanças do PT. O empresário que ajudou em 2002 Lula a vencer a resistência - principalmente entre as classes A e B - e a chegar ao Palácio do Planalto, também ficou sem ver, até agora, a cor de R$ 12 milhões. O débito da legenda é resultado de compra - feita durante as eleições municipais do ano passado pelo então tesoureiro petista, Delúbio Soares - de camisetas e tecidos da Coteminas, a maior empresa têxtil do Brasil, que é de propriedade de José Alencar.
O PT reconhece a dívida. O presidente do partido, Tarso Genro, afirma que se trata de débito contabilizado, e está, inclusive, em vias de renegociação. Administrada pelo filho de Alencar, o empresário Josué Gomes da Silva, também presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), a Coteminas é sozinha responsável por 20% do consumo nacional de algodão.
''Estamos fazendo uma proposta (de renegociação) para que de fato a dívida possa ser quitada'', assegura o presidente nacional do PT. Tarso afirma que uma primeira tentativa de renegociação do débito já foi efetuada. Relata que a Coteminas considerou positiva a disposição do PT de buscar um acordo, mas a empresa do homem que ocupa o segundo cargo político mais importante do País não aceitou essa primeira proposta de pagamento do débito.
''Já fizemos uma proposta, mas a Coteminas nos solicitou uma reavaliação sobre a possibilidade de efetuarmos o pagamento em menor quantidade de parcelas'', conta Tarso.
Antes de o PT, sob a direção de Tarso, procurar a empresa para renegociação da dívida de R$ 12 milhões, informação não confirmada oficialmente dá conta de que Delúbio Soares - um dos personagens centrais da crise que assola o partido e há quase quatro meses atormenta o governo Lula - teria tentado quitar o débito com a Coteminas por meio de caixa 2. Mas Josué Gomes da Silva não aceitou receber dessa maneira.


