PT deve aprovar censura à Heloísa
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quarta-feira, 05 de fevereiro de 2003
Das Agências 
Brasília A senadora Heloísa Helena (PT-AL) poderá ser punida pelo partido com um voto de censura pública por ter faltado à sessão que elegeu o atual presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). O presidente do PT, José Genoino, anunciou a provável punição ontem, em entrevista coletiva.
O fato foi comentado com cautela pelo presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT-SP). De acordo com ele, é preciso analisar os ''fatos' com cautela antes de se decidir pela punição. ''É preciso analisar qual foi a razão da falta da senadora. Ela precisa se justificar. Cada caso é um caso'', afirmou.
Heloísa Helena afirmou ontem que está servindo de ''bode expiatório'' à cúpula do seu partido e que a sua recusa em votar em Sarney não é a verdadeira motivação da ameaça de punição a ela. ''É um simbolismo. Botar a bruxa na fogueira atenua as tensões internas do partido. O objetivo é machucar profundamente um, para promover o medo nos demais'', disse.
A senadora afirmou estar ''absolutamente tranquila'' com a posição tomada na votação de Sarney, já que ela não é inédita: não votou no senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) em 1997 e no ex-senador Jader Barbalho (PMDB-PA) em 2001. Afirmando não ter nada ''pessoal'' contra Sarney, a senadora disse que se negou a votar nele por se tratar de um ''representante das oligarquias nordestinas'', contra as quais sempre lutou. Ela foi a única dos 81 senadores a não comparecer à sessão de posse do Senado.
O ministro da Casa Civil, José Dirceu, ex-presidente do PT, negou ontem que teria defendido uma punição para os congressistas da ala mais à esquerda do PT, que criticaram o governo Lula da Silva por não colocar em prática as políticas defendidas historicamente pelo partido. A informação foi dada pelo líder petista na Câmara, deputado Nelson Pellegrino (BA).
O presidente do PSTU, José Maria de Almeida, disse ontem que o partido está de braços abertos para receber os radicais do PT e defendeu a criação de um novo partido para agrupar a esquerda socialista brasileira.


