SÃO PAULO - O ex-presidente Itamar Franco está fora do bloco sonhado pela direção do PT para enfrentar o governo Fernando Henrique Cardoso nas eleições de 98. O PT não examinava seriamente a hipótese de apoiar uma eventual candidatura Itamar à Presidência da República, mas o aval a uma tentativa de chegar ao governo mineiro poderia ter o sim do partido, desde que em troca Itamar endossasse o nome petista que disputará o Planalto no ano que vem.
‘‘A falta de Itamar ao encontro do Chile atrapalhou tudo’’, disse José Dirceu, presidente nacional do PT, referindo-se ao encontro das esquerdas recém-ocorrido no Chile.
O mesmo diagnóstico é aplicado no caso do ex-ministro Ciro Gomes, um tucano aparentemente fora do ninho, mas com dificuldade de se enquadrar no receituário do petismo, mesmo que reciclado.
Além do descarte de Itamar e da incerteza sobre o caminho de Ciro, o PT recebeu outro aviso preocupante no Chile: PDT e PSB expuseram claramente que já foi o tempo em que o PT tocava a corneta e os outros seguiam atrás. ‘‘PSB e PDT nos disseram que, se o PT não flexibilizar as alianças, poderão lançar outros candidatos à Presidência da República em 98’’, relatou Dirceu.
Por ‘‘flexibilização’’ entenda-se abrandar o purismo do programa que será defendido pelo candidato e, talvez mais importante, apoiar concorrentes das outras agremiações em disputas estaduais.

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