PT descarta fidelidade partidária
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sábado, 19 de abril de 2003
Agência Estado 
Brasília A reforma política centrada na tese da fidelidade partidária, que o governo Fernando Henrique (PSDB) e seus aliados perseguiram ao longo dos últimos oito anos, não interessa ao governo petista. Desde que o governo sinalizou sua opção pela negociação no varejo com os partidos, como vem fazendo com o PMDB, a fidelidade passou a ser uma preocupação dos adversários do Palácio do Planalto. Os partidos sabem que, quando estão na oposição, os atrativos do governo são sempre uma tentação para seus filiados. O PFL, maior partido de oposição já sofreu um desfalque de quatro deputados desde a posse do novo Congresso em fevereiro.
''O PT era nosso aliado na reforma política como um todo e especialmente na questão da fidelidade partidária e do fim das coligações nas disputas proporcionais (de vereadores, deputados estaduais e federais). Agora, porém, prefere reforçar pequenas estruturas partidárias que operam como satélites do PT'', acusa o líder do PFL na Câmara, José Carlos Aleluia (BA).
''O governo acha o assunto importante, mas não tomará iniciativas neste campo. Consideramos que esta é uma responsabilidade dos partidos políticos e, sendo assim, fundamentalmente uma atribuição do Congresso'', justifica o líder do governo na Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP). Até agora, o único movimento petista em relação à reforma política foi uma proposta preparada pelo Instituto Cidadania ligado ao partido e entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva há cerca de duas semanas. Mas poucos no PT têm conhecimento da proposta.
Para a falta de empenho do governo em torno da reforma política há outras leituras. ''O que convém ao projeto de poder do PT é a manutenção do status quo'', resume, pragmático, o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). ''Hoje o PT impõe a fidelidade interna, mas se aproveita da infidelidade dos outros partidos'', completa.
Ninguém melhor que um petebista para avaliar o quanto o governo tem investido na infidelidade alheia para engordar sua base de apoio no Congresso. O líder do partido na Câmara, Roberto Jefferson (RJ), sabe o quanto vale uma palavra de estímulo do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, a um insatisfeito que está avaliando uma alternativa partidária para se abrigar.
Foi assim que o PTB conseguiu dobrar sua bancada de deputados em menos de dois meses de funcionamento do Legislativo. ''O presidente sabe que tem uma margem de 300 parlamentares para trabalhar e para o PTB isto é ótimo, porque somos um desaguadouro natural desta migração'', afirma Faria de Sá.
A despeito das acusações dos pefelistas e da sinceridade de aliados do PTB, os petistas insistem que o PT quer sim a reforma política. ''O PT é radicalmente favorável à fidelidade partidária que pratica como uma forma de fortalecimento dos partidos'', diz o deputado Paulo Rocha (PT-PA), para quem as migrações são naturais e não fruto de estratégia do governo. Segundo ele, qualquer governo é um forte pólo de atração, justamente por ser poder.


