O PT deverá pedir à Justiça Eleitoral e ao Ministério Público Eleitoral (MP) que investiguem despesas não contabilizadas na campanha à Prefeitura de Londrina, em 2004, do deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB). Na semana passada, o presidente do diretório estadual petista, André Vargas, denunciou na imprensa que o deputado teria solicitado ao prefeito Nedson Micheleti (PT) R$ 500 mil em troca do apoio na segundo turno das eleições.
Ontem, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, também relatou supostas conversas com Hauly. ''No período que passou entre o primeiro e o segundo turno, foram feitas várias conversas. Eu mesmo tive oportunidade de conversar com o deputado Hauly uma vez no Hotel Crystal. Estava no Calçadão e ele me ligou querendo conversar. Pediu para conversarmos em particular e ele me relatou que havia conversado com o Nedson no Hotel Bourbon e que ele não definiria, em hipótese alguma nenhum apoio, se não tivesse condições de resolver o problema da campanha dele que ele dizia que era de R$ 500 mil. E falou mais. Disse que queria R$ 250 mil antes de declarar o apoio'', disse Paulo. ''Eu entendi que ele tinha uma dificuldade e estava tentando resolver o problema dele, pagar as contas de campanha e expliquei que não tínhamos como dar solução para isso'', complementou.
Segundo, o ministro, Hauly ainda teria telefonado várias vezes para tratar do assunto. ''Sou deputado, com uma interrupção, desde 1991, e nunca liguei para o Hauly e ele também nunca me ligou, com exceção desse período que é fácil de averiguar, fácil de verificar, que ele me ligou várias vezes e algumas lamentavelmente nem atendi porque chega um ponto que não tem mais como responder.''
Para Vargas, os relatos confirmados também pelo prefeito indicam gastos não contabilizados na campanha tucana. Conforme a prestação de contas de Hauly na página eletrônica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na campanha de 2004 teriam sido angariados e gastos exatos R$ 563.428,35 mil. Apesar da prestação de contas não registrar restos a pagar, os petistas alegam que o deputado teria pedido R$ 500 mil para pagar dívidas de campanha. ''É evidente que se trata de um caixa 2. Se ele não declarou dívida e pediu dinheiro para nós é porque tinha dívida. Prefiro acreditar que ele tinha dívida e não era um pedido pessoal'', afirmou.
Vargas disse que as declarações de Nedson e Paulo Bernardo serão anexadas ao pedido de averiguação nas contas do PSDB, feito pelo diretório municipal do PT. O pedido está sendo analisado pelo juiz da 41 Zona Eleitoral, Jurandyr Reis Júnior. ''Já tem pedido da Justiça e vamos adendar esse episódio. Temos provas testemunhais e parece que isso está valendo. É o ministro, o prefeito e um deputado federal falando'', argumentou, se referindo às declarações do deputado federal José Janene (PP), que afirmou que Hauly também teria pedido R$ 500 mil para apoiar o adversário de Nedson no segundo turno, Antonio Belinati (PP).

mockup