Brasília - O exercício do poder e o aprendizado de que sem alianças no Congresso não é possível governar levaram o PT a mudar sua estratégia eleitoral para o ano que vem. O partido não mais fará questão de ser o cabeça de chapa nos Estados e cidades onde houver possibilidade de realizar coligações nem utilizará os nomes mais fortes para disputar o governo.
Estes, ao contrário, deverão concorrer à Câmara ou ao Senado, para puxar votos e eleger uma grande bancada. ''Tínhamos uma noção disso. Mas, no governo, vimos que, além de disputar a eleição presidencial, temos de fazer bancadas muito fortes para garantir a governabilidade. Portanto, é importante fechar alianças nos Estados e garantir a eleição do máximo possível de senadores e deputados petistas e de partidos aliados'', diz o presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP). ''Queremos fazer uma bancada bem maior do que as de 2002 e 2006'', acrescentou. Desse modo, o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias,um dos petistas bons de voto - ele costuma ter mais de 500 mil votos - pode ser convencido a não disputar o governo, e sim uma vaga de deputado federal.
O governador do Piauí, Wellington Dias, também deverá sair candidato a deputado, para aumentar a bancada de petistas piauienses, embora ele já tenha manifestado o desejo de se candidatar a senador. No Rio Grande do Sul o ex-ministro Olívio Dutra também deverá concorrer a uma vaga de deputado. Em São Paulo o senador Aloizio Mercadante será orientado a disputar a reeleição e esquecer o governo estadual.
Em 2002, ano da primeira eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, até o PT se surpreendeu com o tamanho da bancada eleita - 90, quando todos os cálculos indicavam entre 70 e 75. Em 2006, enfraquecidos pelo escândalo do mensalão - em que, de acordo com a CPI dos Correios, o PT pagava uma mensalidade aos parlamentares da base aliada que votavam projetos de interesse do Palácio do Planalto - os petistas viram a bancada cair para 83 deputados.
Mais experiente depois de governar por quatro anos e de passar pelas turbulências do mensalão, em 2007 o presidente Lula fechou logo uma aliança com 14 partidos para tocar o seu segundo mandato. Distribuiu ministérios de grande importância para o PMDB - Saúde, Minas e Energia, Comunicações e Integração Nacional, além da Defesa - , coisa que havia se recusado a fazer no primeiro mandato. Conseguiu ter uma base ampla na Câmara, com 385 deputados.
Mais difícil
No Senado, porém, a situação sempre foi bem mais difícil. No primeiro mandato, o PT tinha 16 senadores. Como a aliança com partidos fortes, a exemplo do PMDB, não era formal, o governo dependeu sempre de negociações pontuais. No segundo mandato, Lula fechou o acordo, mas o PT entrou com apenas 12 senadores.
E, apesar de a oposição ter somente 28, um a mais de um terço dos 81, o grande número de dissidentes de todos os partidos da base aliada acabou por deixar o governo numa situação delicada. Foi o Senado que derrubou a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Também foi o Senado que não votou a tempo a medida provisória que criava o Fundo Soberano com R$ 14 bilhões. E é o Senado quem fez a CPI que mais atordoa o governo, a da Petrobrás.
Hoje o presidente do PT contabiliza a possibilidade de fazer alianças em no mínimo 13 Estados. ''Nestes, nós podemos acertar alianças que nos levam à cabeça de chapa, a uma vice ou nem a isso. Podemos apoiar outros nomes'', disse. De acordo com Berzoini, o PT vai disputar em coligação com outros partidos no Amazonas, Amapá, Goiás, Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Sergipe e Piauí.

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