Mais do que pedir a cassação de José Roberto Arruda e Antonio Carlos Magalhães, além da renúncia do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), a cúpula do PT decidiu ontem cerrar fileiras para defender a ex-líder do partido Heloísa Helena (AL). A senadora é acusada de ter votado contra a cassação de Luiz Estevão. Durante reunião que durou sete horas, em São Paulo, a executiva nacional do PT encontrou um argumento para apoiar a colega: a tese de que, com a violação do painel eletrônico do Senado, a lista dos votos também pode ter sido adulterada.
‘‘Essa lista, se aparecer, não tem valor nenhum’’, afirmou o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP). ‘‘Ninguém lutou mais do que Heloísa Helena pela cassação de Estevão e, para nós, vale a palavra dela.’’ Preocupada com a reiterada tentativa do PSDB de envolver integrantes do PT na crise política, a direção petista divulgou nota em que também manifesta solidariedade ao atual líder do bloco de oposição no Senado, José Eduardo Dutra (PT-SE). Motivo: então líder do governo, Arruda disse ter contado a Dutra em 27 de junho do ano passado, um dia antes da cassação de Estevão, que havia possibilidade de quebrar o sigilo do voto.
‘‘Todo mundo sabia que o painel eletrônico do Senado era violável, assim como foi o da Câmara por muito tempo’’, observou o deputado José Genoíno (SP). ‘‘Mas o que o Dutra podia fazer?’’. Autor de um projeto de resolução para acabar com o voto secreto, Genoíno lembrou a época dos ‘‘pianistas’’ da Câmara para sustentar que a garantia do sigilo naquela Casa só ocorreu há três anos, com a adoção da impressão digital nas votações. ‘‘Antes, era como o Senado, onde um parlamentar pode votar várias vezes’’, completou.

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